Capitalistas precisam mudar o capitalismo, palavra de um capitalista

Resumi na segunda-feira passada a postura de um conglomerado de representantes industriais (IEDI) sobre a necessidade de o desenvolvimento industrial brasileiro pautar sua atuação na busca de inovação. 

Procurei mostrar que esse grau de organização e de expressão revela um pouco das limitações do próprio Brasil.

Resumo agora as ideias de Dominic Barton, presidente da McKinsey Consultoria, uma das mais importantes do mundo, que revela ter bom conhecimento do Brasil. Segundo ele, o meio empresarial brasileiro detêm 81% de confiança entre os cidadãos brasileiros, um dos mais altos do mundo.

O  texto pode ser lido, em português, na revista Harvard Business Review, editada por Roberto Müller Filho, edição de março de 2011, páginas 50 a 57. O texto original, em inglês, pode ser lido em: http://hbr.org/2011/03/capitalism-for-the-long-term/ar/1

Para começar, Barton cita a crise de 2008 para dar um aparentemente retumbante grito de alerta: nada voltará a ser o que era. Entre 2005 e 2008 ocorreu, segundo ele, uma aceleração drástica" no equilíbrio de poder no mundo, estando contrapostos Ocidente desenvolvido de um lado e Oriente emergente de outro. Isso levou à adoção de "políticas populistas", seguida de novas ondas de tensão entre classes sociais, resultando disso tudo uma pressão sem precedentes sobre os sistemas de governo".


Já ao encerrar o primeiro parágrafo, Barton anuncia como o efeito mais importante, do ponto de vista das lideranças industriais, "o questinamento do capitalismo em si", o qual ele mesmo nota ser antigo e ser fruto da Grande Recessão (1929).

O perigo

Segundo Barton, estão criadas assim as condições para o poder público interferir cada vez mais na atividade empresarial para exercer controle e tentar evitar novos episódios que coloquem em risco "o sistema como um todo".

Barton aponta itens bastante visíveis e outros nem tanto. Um deles diz respeito à
  "tirania do curto-prazo" no mundo dos negócios. A qual gerou uma espécie de praga, a aceleradíssima venda de ações nas bolsas de valores, as quais duram cada vez menos tempo na mão de um investidor.

O cidadão comum pode achar tudo isso um luxo e o capitalismo, um lixo. Mas quem pensa assim deveria ler o artigo de Barton na íntegra, sobretudo os 4 milhões de brasileiros que têm ações de uma empresa chamada Vale do Rio Doce.

Ele diz que estudos da Consultora mostraram que de 70% a 90% do valor de uma empresa está na faixa de fluxo de três anos. Então, se o presidente da empresa trabalhar pensando nos resultados trimestrais estará perdendo o foco do negócio e, principalmente, criando, até mesmo pela ignorância, o cenário propício para catástrofes econômicas.

O texto de Barton tem receitas bastante práticas, como o grau de envolvimento dos conselhos administrativos e a reforma no quadro geral de giro das trocas acionárias. Parece um luxo só. Mas não é. Apesar de nem ser um discurso novo, o discurso de Barton mostra que os capitalistas também têm um papel social dos mais importantes.

Se os conglomerados que representam empresários, como IEDI e Fiesp, precisam de algo mais para rifar as cansadas lentes do oportunismo Estatal, é bom lembrar os dados publicados pela revista Exame desta semana. De 2000 a 2008 o índice de produtividade da Coreia do Sul cresceu 7,4%, da China, 5,2%, dos Estados Unidos, 4,6%, do Brasil, 0,9%. Que lixo!

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