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A mostrar mensagens de Janeiro, 2012

O cemitério de Praga

Resenhar um livro ruim ou mediano é fácil pra burro. Resenhar um grande livro é difícil como carregar o diabo vestido de girassol enlouquecido ou lírio pirado, como diz a música do Vinícius.

É o caso de O Cemitério de Praga, do consagrado Umberto Eco, lançado no Brasil pela Editora Record em 2011.

Outro dia escrevi neste blog, a propósito do livro Poder absoluto, de David Baldacci, que havia umas 200 páginas que eu colocaria na conta de excesso de bagagem.

Já com o Cemitério de Praga ocorre precisamente o contrário. O tema e o tratamento que Eco aplica comportam umas 200 páginas mais. Tá bom, umas 250 mais. Tá certo, eu aceito, fechemos em 280.

De novo Eco nos traz um cidadão envolto na exumação das próprias memórias, como no Baudolino, livro de Eco do início dos anos 2000 que, em resumo, mostra possíveis e documentadas transações escondidas pelas Cruzadas, um projeto que vai da religião e seus negócios aos negociantes e suas religiões.

No "Cemitério de Praga" parece que Eco real…

A mais perfeita imagem da terra

Um bicho devorando ou sendo devorado?


Tom Waits, sensacional

A melhor forma de responder à necessidade de espetáculo é desmontá-lo.

Assista até o fim mesmo que não saiba inglês.

Romantismo quer dizer valores

Não deveria ser novidade para ninguém. O Romantismo, movimento estético, político, filosófico, nasceu há uns 300 anos. Mas sua origem distante parece esconder seu sentido: "falta de senso prático, de objetivo real", portanto, incapacidade de ver a realidade, as pessoas como são e os fatos pelo que de fato significam.

Milhares de mulheres resolveram idealizar o homem romântico e isso é mistério que tem mil respostas, mil interpretações e mil enganos embutidos. E todos esses caminhos levam, em comum, a um beco sem saída se a noção mesma do romantismo não estiver devidamente no lugar

A melhor forma de uso do romantismo como ideário somente pode ser encontrada na literatura. Nero Wolf, o personagem de Rex Stout, sempre dizia: "sou um romântico, ainda", mas era uma cilada. Toda mulher que o ouvia dizer isso iniciava uma aproximação festiva e logo era repelida. "Sou um romântico no cultivo de valores, minha senhora, isso que a senhora chama de romantismo não é romanti…

O sujeito que compra revistas

Conta-se que um importante articulador do pacote econômico chamado Mensal Anão na Minha Mão que Assim fica Grandão andou preocupado com as notícias que circulavam nos periódicos da província de Lá é Aqui. Primeiro, tal articulador comprou a Prefeitura, não diretamente que isso era pecado. Mas através do Mensal Anão na Minha Mão fica Grandão ele elegeu seus três homens de confiança. Os demais 8.677 homens de confiança eram alugados mesmo no Morro do Só Vou se Molhar Minha Mão.


E assim articulado, o articulador passou um bom tempo trocando de nomes, para conseguir milhares de votos num mesmo nome, o dele. Tornou-se assim Presidente ProtoMoral do Comitê Minha Mão Garante, de cunho nacional, naturalmente.


Mas precisava apagar da história conhecida, quase conhecida, quase esquecida, sempre perigas, sempre tem um que lembra, sempre e nunca, a história de como alguns milhões viraram apenas 50 mil ducadenses de lá, por que quando convertidos esses 50 mil ducadenses era dinheiro pracarayo.


Baixou…

"No universo da cultura o centro está em toda parte"

Esse universo ainda se faz com pessoas e ideias

E se um presidente matasse alguém

Todo o sistema de segurança começa a trabalhar para ocultar um fato. E o fato esconde um dos homens mais poderosos de um país, popular, carismático, que se considera acima da lei, assim como considera acima da lei os homens que lhe dão apoio no parlamento.

Isso aconteceu no livro do americano David Baldacci, "Poder absoluto", 542 páginas, lançado no Brasil em 1997. Coloca em questão aspectos essenciais da lógica do poder. O serviço de inteligência, a polícia federal e os aparatos técnicos todos devem mesmo obediência cega a um homem somente por este ser popular, carismático e presidente da República?

Para o leitor brasileiro vai ser chato descobrir que a lógica que norteia rumos aqui explica por que os livros de literatura policial não fazem sucesso no Brasil sempre que o autor é brasileiro. É que para um livro desses ser lido é preciso que um número razoavelmente grande de pessoas acredite que há um senso de justiça que será aplicado universalmente, do rodapé da mais suja das…

Santos são invenção

Opinião todo mundo diz que tem, assim como todo mundo diz ter bom gosto, mesmo tendo mau gosto, podendo ser bom desgosto num mal a gosto.


E se todo mundo precisasse estudar filosofia para ter direito a opinião não haveria ocasião nem perdição na mantilha da noiva sem virgindade, que virgindade é condição, às vezes mascaração.


A opinião de 800 milhões de chineses é importante para o governo. É o número de usuários de celular por lá. É o único caso mundial real de intentado Big Brother ao pé da letra, estando mais para chacota em cima de cachorro pimpão.


Claro, tudo conta, a minha opinião, a tua, a dele, a do macaco e a do elefante elegantão. E todo mundo deve ter mesmo opinião. Mesmo que nem todo mundo consiga escrever pseudosubproduto de ocasião.


Então virão os terapeutas e dirão que é preciso ressignificar as coisas todas, da musa nua de alabastro à rotunda do capitólio em contemplação, por peniana enlevação.


Edipiana senhora, já disseste a frase da perdição, da moralidade, da conceituali…

Supercelulares e graxa de sapato

Três pessoas já estão de posse do brinquedinho bancado pelo bolso dos brasileiros: Lula, José Dirceu e Antônio Palocci. Todos são eminências, mas não têm cargos oficiais, dois foram defenestrados, um até foi cassado. 

E já se criou um clubinho que engloba senadores da base superaloprada. Ficaram de fora, por enquanto, Michel Temer e José Sarney, mas tudo indica que se eles se comportarem direitinho também ganharão um brinquedo igual, e aí, sim, poderão rir à vontade da nossa cara.

A notícia acrescenta que outros 600 equipamentos idênticos devem ser enviados ao governo brasileiro pela Nokia. Os telefones foram testados e aprovados pela Polícia Federal e pela Agência Brasileira de Inteligência. Os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal também têm interesse neste celular que é usado pelos grandes líderes mundiais.

Sapatos de mais

Façam a conta: mil celulares a 12 mil reais cada, só para começar. Isso logo depois de o presidente da Câmara dos Deputados, do PT, Marco Maia, ter aberto concorr…

Fascismo e fascismo

Por Lucas Echimenco








É desagradável ser crítico, é desagradável apontar. Mais chato ainda é ver proliferar as turbas, as cambadas, sempre um sinal ruim no horizonte. Por isso, o texto abaixo, com o devido reconhecimento a quem o escreveu. Tenho em relação a Olavo uma divergência profunda. Sou ateu convicto. Deus não existe, é uma criação humana e tem servido de abrigo a covardes de todos os tipos, a falsos beneméritos, a falsos grandes homens e a oportunistas de todos os matizes.




Mas Olavo é o único que vem dizendo as coisas fora do compasso. Que louve a Deus, isso é um problema dele, pois que afinal Deus sendo criação humana pertence a todos os humanos.

Por Olavo de Carvalho



A origem


"Benito Mussolini resumiu a doutrina fascista numa regra concisa: "Tudo para o Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado." No Brasil, se você é contra essa idéia, se você é a favor da iniciativa particular e das liberdades individuais, logo aparece um chimpanzé acadêmico que tira daí a e…

Terror e ato punitivo, fascismo

Desconhecido andou postando comentários no rodapé de um post que escrevi a propósito de um evento protofascista.


Desconhecido chama a atenção para um correto conceito de fascismo, sem dizer qual é esse conceito.


Desconhecido é um apelido muito usado em necrotérios.


É óbvio que a origem do fascismo é política, como escrevi. Mas os comportamentos que o sustentam nascem e sobrevivem sob outros rótulos. E o Brasil é um ninho gigantesco de fascistas, até mesmo ultra-esquerdista revolucionário pode ser um rematado fascista na vida social. A ponto de um desconhecido se autorizar a comentar o direito de outra pessoa de escrever o que pensa, de hostilizar, de rosnar seu descontentamento (ou será infelicidade mitigada por uma matilha de pequineses?)


Desconhecido, assumam alguma coisa. Escreva seus conceitos e os coloque no ar. Mesmo para grandes covardes como você, dialogar é antídoto para fascismos de todos os tipos.


Então vamos lá, na íntegra, como escrito em: http://www.infopedia.pt/$fascismo

&quo…

O governador tatuzão, ou será picareta?

O governador do Ceará não sabia que estava sendo gravado, pensou que fosse apenas gravação de imagem....

Nobres de alta tungagem

Lula se faz de morto. Dilma se faz de besta. E o STF se faz de santo.

E assim está todo mundo NOS enrolando.

Caminha assim a arte de governar nos dias que correm. Mas pelo menos uma certeza já está firmada. Pegue toda frase de Dilma Rouseff e tenha certeza. Quer dizer exatamente o contrário. Típico de quem se faz de besta.

Reportagem do Estadão (de São Paulo) de hoje diz que "partidos governistas" disputam "espólio de Lula".

Engano a reparar. Não existem partidos governistas. Existe o PT e os adesistas que premiam ministros recém-derrapados do poder, não é mesmo Lupi?

E assim esse governo medíocre até a medula vai conseguindo sobreviver até mesmo à mais escancarada malversação de recursos, sobrando dinheiro anti-enchente onde há seca.

Desse modo, a única consequência será um prêmio ao PSB, o partido mais socialista do que o socialismo, mais realista do que qualquer pefelismo, mais pomposo do que o PC do B premiado.

Vou abrir um negócio, o PTLC, o Partido dos Trabal…

OAB é cúmplice?

Militantes do PT ganham carteira da OAB sem fazer exame: 
http://oposicaoviva.wordpress.com/2011/04/22/denuncia-bomba-militantes-do-pt-ganham-carteira-da-oab-sem-exame-de-ordem/



Surpreendentemente, o twitter campeão mundial em fazer barulho sem som anda quieto a respeito.


Manda a boa técnica jornalística averiguar denúncias antes de publicar qualquer coisa.


Mas a versão, o boato, é fato social de fronteiras mais largas.


São os órgãos autorizados e competentes que ficam com a missão de esclarecer.


Blogueiros e usuários de mídias eletrônicas são expectadores-redatores, muitos movidos a palpites sem muita fundamentação, outros ocupam a cena com opinião a considerar, sem necessitar de qualquer aparo de órgãos de classe.


A forma de denúncia, neste caso, é merecedora de espaço por que traz uma perceptível lógica implícita que vem contaminando entidades e instituições e membros das ditas cujas, naquilo que já podemos chamar de cultura de governo, uma cultura feita de muitos interesses, no mínimo di…

Pedradas verbais

Tentei assistir um capítulo inteiro de Fina Estampa, a novela do chamado horário nobre. 


Não consegui. Como é que alguém vê interesse e fica vidrada vendo uma trama que avança apenas com base na fofoca e maledicência é coisa que não sei explicar.


Contando os intervalos comerciais, que também roubam tempo, gasta-se pelo menos uma hora por dia, ou 200 horas por ano apenas nisso. Coloque 45 páginas por hora, em alguns casos, 60, e você terá algo entre 900 e 1200 páginas de alguma coisa que poderia ser lida, alguma coisa chamada livro.


Tudo bem, não se vive somente de livros. Mas quem passou dez anos vendo novela deixou de ler pelo mínimo de 9 000 a 12 000 páginas. Uma vida diferente que nem chegou a ser experimentada.


Pior do que ficar sem leitura,  essa pessoa ficou exposta a um traço constante de comportamento, inconscientemente retroalimentado e depois reproduzido, consagrando o jeito pessoal até de falar e pensar, movido a pedradas verbais.

Mas há coisas piores na televisão. É aquela cena…

A teoria antropológica da vagina - repeteco

Por Lucas Echimenco


O título acima faz  referência a um dos livros de Esther Vilar, escritora de dupla cidadania, filha de argentinos, nascida em 1935, em Buenos Aires, tendo como nome de família Esther Margareta Katzen. Ela casou-se com um médico alemão, do qual se separou e com ele mesmo voltou a casar. 


Vilar andou pelo mundo. Foi vendedora, operária, balconista, tradutora, secretária, formou-se médica e tornou-se (ufa!) escritora, isso num tempo em que a mulher era escrava, pelo menos segundo a conversa mole oficial.
Cansada do “papo furado” na divisão e usufruto dos chamados papéis sociais, que sempre colocaram a mulher na condição de vítima, Vilar preferiu rasgar o verbo e colocar a nu o jogo de cena.



A respeito do livro Sexo Polígamo as resenhas apareceram em Paris, Hamburgo, Londres, Nova York. Mas a que estampou a revista Der Abend, de Berlim, foi dura: “Com o seu best-seller, Esther Vilar mandou para o matadouro a mais sagrada das vacas”.
A versão original do livro saiu com o tít…

Proposta de moralização do Congresso

Chegou por email a proposta que segue abaixo.


Antes, alguns comentários:

Tenho dúvidas quanto a certas questões propostas. A ação de moralização é importante mas não podemos cair em certas armadilhas que podem resvalar para novas formas de totalitarismo.


Em tempos de muita impotência faltam mesmo propostas práticas. A proposta tem problemas pois descuida de certos aspectos legais que somente os parlamentares podem aplicar. 

E de nada adiantará cometermos dois enganos. 1) Deputados não devem ser vistos como marionetes, nem em benefícios deles próprios nem em nosso nome, seria diminuir a própria noção de cidadania. 2) Em nome de certa inação do congresso o Poder Judiciário anda fazendo leis já, a legislação eleitoral, por exemplo, em vez de ser votada e aprovada no Congresso está sendo movida a "ativismo judiciário", e até mesmo com certos resultados, mas deixando um rastro de problemas pelo caminho.

Portanto, os poderes que existem precisam funcionar e bem, já que são bem pagos, s…

Instituto do cidadão

Não deveria ser um sonho. Nem constitui grande novidade.


Mas talvez nós, os cidadãos brasileiros, que andamos com os nervos gastos de tanto esperar uma atuação digna da classe política, mesmo considerando existir bons quadros nos partidos políticos, deveríamos começar a pensar na criação de um órgão similar ao Defesa do Consumidor. 


A OAB se não estivesse tão profundamente envolvida em todo tipo de politicagem neste país, pois afinal é feita de gente, némesmo, já até poderia ter esboçado algo do gênero.


Mas sem aquele palavrório que só alimenta conversa de doutos em coisa nenhuma. 


Quais são os instrumentos que órgãos de defesa utilizam até mesmo com poder de agir como voz institucional?


Não seria nenhum absurdo um instituto desses reunir os recursos necessários até mesmo para veicular verdadeiras peças de comunicação, algo simples e direto que diga: "Fulano de tal mudou de partido 15 vezes nos últimos dez anos. Fidelidade partidária não se faz desse jeito". 


Ah! Aí está o ponto. …

Os novos conservadores

Os novos conservadores sempre se disseram revolucionários.

Os novos conservadores deram uma sorte desgraçada, com o dinheiro do povo, mas primeiro contaram com a desinformação e dinheiro do povo.


Os novos conservadores acham que a sociedade deve ser organizada sempre de modo a pensar e agir segundo um mandamento invísivel, que não deixasse claro mas sugerisse, "Seja carneiro, meu povo, era para ser vaca doida só durante o regime militar".

Os novos conservadores "organizam as bases" para que esta permaneça fiel ao longo do tempo às concordâncias e acordos, sem pensar muito. Antigamente, eram concordâncias por uma camiseta e um acordo para arrumar um emprego para um parente e o conjunto da obra chamavam curral eleitoral. É igual mas menos igual do que antes, um pouco pior também, com um bocado de desfaçatez.

Os novos conservadores são conservadores porque chegaram ao poder, mamam nas tetas desta puta sem dono, tetas nas quais continuarão pendurados porque é gostoso e qua…

Ele mesmo

Mais um pouquinho

Brubeck

Para voltar um pouco no tempo

Foi o que eu disse

A distância entre aquilo que sou sem dizer e aquilo que você acha que sou é o que faz a minha ou a tua ilusão.

Somos seres em movimento. Por isso não juro nem cobro fidelidades. 
Claro que o casamento é importante. Gera a noção de estabilidade, segurança, sexo sem riscos, de lugar que não se perde.

Ouvi tanta verdade sobre a importância do casamento que já não sei qual verdade é a mais verdadeira.

Também ouvi muitas mentiras sobre a solidão. Mas não acredito nem nas que eu mesmo inventei.

No dia que houver, se houver, um despertar planetário, haverá apenas um rugido de meio segundo. E seremos pó, ou nem isso.

hoy he dito cosas serias, manha direi tonterias

que unas y otras son la misma cosa 
Caramba, esqueci do café. Fui

Blue rondo a la turk

Simplesmente, música

In a sentimental mood

Esta é para quem tem silêncio sobrando


Cachondeos, escarceos y otros meneos

Em português: Saracoteios, tateios e outros meneios. É o livro para começar 2012 com alguma filigrana contracultural na veia.


Não é obra para religiosos profissionais, nem praticantes hiperpudentes, efebos carentes de maior lastro conceitual. 


O livro é da autoria do Prêmio Nobel de Literatura de 1989, o espanhol Camilo José Cela. Com elegância e estilo, Cela traça um panorama das práticas eróticas que hoje chamamos pornográficas, é, aliás, a única obra assumidamente erótica de Cela.


É recheado por versos originais, em espanhol, com tradução ao pé da página. São situações que somente ganharão um sentido, passe a expressão, mais pleno pelo conjunto lido, ainda que de maneira irregular. 


E esse sentido pleno lembra Shakespeare, no qual as mulheres, sobretudo nas Tragédias, desempenham sempre o papel principal.


Todo ilustrado com fotos em branco-e-preto, com nus elegantes e títulos-conceito, Saracoteios, como o próprio título indica, fala de mulheres que comandam a cena sexual.


Lá está Soledad…