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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2012

Maria Joana desconfia de Nilóbio Assimgeme, esconde a desconfiança e se desmente na confiança

Toda artimanha tem manha. Gente muito esperta, que nunca se dá mal, sabe desse segredo e não se fia na memória, mas de alguma maneira vai perdendo pontos no ranking de confiabilidade, um ranking mais moderno do que a internet e mais antigo do que a palavra escrita.


Maria Joana entendeu direito o que Assimgeme disse sobre ter de entender suas próprias contradições, nem tanto para eliminá-las, que isso somente a morte consegue, mas para trazê-las sempre na ponta da memória, em estado de alerta, de galhofagem de estalajadeiro, que conta piada rindo e parecendo sonhar mas não tira o olho do caixa e do funcionário que lá está bancando o idiota.


Maria Joana desconfia de Nilóbio Assimgeme, da mesma forma como Nilóbio desconfia de todo franco-falador amistoso inesperado, pois quem vem de terras tórridas no apego à guerra aprende depressa a farejar o cerco que anuncia o tiroteio. Mas Nilóbio era veterano de guerra, sentou praça em muitas praças, atravessou areais e areiões, suspendeu sua vida vá…

Maria Joana vai para a cama com um citriotalinês, ocorre dúvida na liberação das memórias, decorrerá decurso de cama?

Maria Joana não está lá muito preocupada com o narrador, que de bumerangue vai a zepelim, em desabrida derivação, válida a bêbados deslizantes, imprópria a sóbrios sem primeiras e últimas letras. Mas o fato se fez e de balcão transitou ao paredão, simbólicos ambos, que a vida não passa sem isso, moçoilas casadoiras.
Moçoilas casadoiras, que será de vossas ficâncias? Grave é a pergunta e está passando pela mente de Maria Joana tendo já escapado pela boca e reverberado nos ouvidos dele, do citriotalinês Nilóbio Assimgeme. Como é que pergunta tão sem rumo e sem carta de motorista encontrou as placas que sinalizam o reduto sem endereço de Maria Joana?
Na verdade, pergunta nenhuma saltou ao passeio público e levantou bandeira perguntando hei seu moço aonde vai dar Maria Joana com as mãos ocupadas? Se isso é forma versada de apresentar a questão, senhora pergunta, que é preciso alinhar os termos, colocar sujeito, verbo e predicado, evitar os adjetivos, cortar as asas dos objetos diretos e ind…

Os saltos altos que Maria Joana ainda não usou. Tanto por tão nada, com testemunho de Nova York, mas sem saber se vale o custo e a tortura

Maria Joana recebeu videos no seu I phode, diversos, curiosos, chocantes, variando do bonddage sex brincando com o fogo da violência ao sexo sem fogo nenhum, com bate-estacas tentando perfurar úteros e tudo o que encontrar pelo caminho.
Assistiu, então, um festival de deslumbramento sem entender uma palavra mas compreendendo a busca oculta, o cansaço maldisfarçado, acabou de ver e assistiu de novo, em tela bem larga:



http://video.nytimes.com/video/2011/10/14/fashion/100000001113968/bill-cunningham--flirty.html


Por que será que os homens continuam usando sapatos?



Uma história que o tempo comeu

Maria Joana reencontra a amiga dos 3.189 homens lambidos com os olhos 
Maria Joana considera a possibilidade de ser gay, ou gueia, ou guébisca, ou lésbica mesmo.
Pensar é um perigo. Pensar matematicamente é um perigo. Ou Deus existe ou Deus desiste. Ou vai e desanda ou fica pior antes de melhorar um tantinho assim. 

Maria Joana reencontrou a amiga que lambe homens com os olhos quando não e quando sim. A conta chegou aos  3.189 homens lambidos com os olhos mas não foi assunto comentado naquele tempo, em que havia programas de altíssimo nível de dificuldade mental, um deles respondendo pela sigla BBB, ou Bosta com Bosta dá Bosta, ou algo assim.

A amiga dos agora 3. 193 olhava para o televisor instalado na quina elevada do arco em triunfo de uma parede do restaurante. Reprisava-se uma cena da Big Bosta, e reprisações dessa espécie, dizia-se ao tempo, podiam ser consideradas formas visuais de masturbação, se é que toda masturbação prescinde mesmo do testemunho ocular da desgraça toda. 

Pouco m…

Maria Joana regride, também avança, agride, também transgride e vê, confirma, prova de tudo aquilo que não é dito naquilo tudo que se faz.

Se pensarmos bem, nada deveria nos surpreender, não depois dos 18 anos de idade. Mas tudo nos surpreende, até o Natal, festa roubada e brega, jeca das econias, naftalina dos calebitas, incesto moabita em estado de reavaliação. Se a vida vai como droga então o mistério é sofrer com prazer. Se a vida vai bem, prazer sem mistério é ir, vir, pôr na rotina de cada dia a repetição daquelas coisas gostosas, prazenteiras, simples. Maria Joana ainda não sabe de nada disso. Maria Joana regride, também avança,  agride, também transgride, confirma, prova, vê: lei básica, viver é tudo aquilo que não é dito naquilo tudo que se fez. Quem disse que a fala é a mais sublime das perfeições humanas?


Maria Joana regride naquilo que não controla. Quando eu tenho dor de barriga regrido. A dor de barriga de Maria Joana é mais complicada. Ela regride por falta de chão, dar o passo seguinte seria o começo do chão que ela acha que existia, mas que na verdade apenas existirá se ela der mesmo o passo que falta.


Mar…

De mim, dele ou de qualquer um, Maria Joana faz graça e até se diverte com quem se aborrece

"Não é necessário cuidar pelo mal ou pela graça, Joana, o que você deve fazer não sei, nem vou saber, e isto não é desinteresse". Já se vai notar que o diálogo se fez e anda a meio caminho das estrelas requerentes, que são aquelas que cobram detalhes, imaginam desvios, contornam os círculos circadianos, enquadram os quadros quadrifáricos, melindram os melindres rubefacientes.


Menos mal, pensou Maria Joana, e nunca se saberá o que seria mais mal ou mal a mais ou ainda mal melhor. Era uma tentativa e tava bom pra caramba. "Tadinho, ele sabe o que quer", pensou ainda, olhando maciamente para Gusto Desggruda Demim, o homem talvez belo e mais que isso imponente, olhar tranquilo dos olhos para fora, tenso da retina para dentro, maquinador dos neurônios para o DNA, e ateu, de dentro para fora em todas as direções.


A frase, aquela que abriu sem aviso o primeiro trecho, dizia respeito às eternas preocupações sobre ser simpático e elegante, ou ser antipático mesmo sendo elegan…

Maria Joana talvez tenha cura, talvez seja melhor deixar como estava, mas estando como estava será mesmo o mesmo?

Aquilo foi um encontro? Foi um trupicão? Terá sido consórcio ou dinamitoso buracão? Não importa, o fato fictício, que em linhas seguidas se tornará fato concreto, é que Gusto Desggruda Demim estava almoçando sozinho em algum lugar que somente Maria Joana, livre de semióticos e cartorários, poderia ocupar. Ela andava e pensava, ocorrendo às vezes andar sem pensar decorrendo possivelmente desse pouco retilíneo mas uniformente variado movimento a situação que de buraco transitou a dinamite, sem o que não haveria sentido algum em abertura de texto que preze pelo esquadro, métrica, conceito e ritmo. Não vá Maria Joana, de mãos postas à cintura e de nariz em riste, questionar o narrador, a perguntar: “escutas, por que não vais direto ao pontifício?”, isto sendo o círculo que se abre em torno do ponto central da coisa toda.

Resolvidas as rusgas da personagem com seu malévolo narrador, passou-se que Demim queria mesmo que o deixassem em paz. Mas Maria Joana ainda não terminara seu curso de a…

A pirataria petista

Por Lucas Echimenco


Há diferenças essenciais na comparação dos casos em que houve privatização no Brasil. 


FHC encontrou um país em destroços, com uma máquina pública emperrada e ausência de serviços básicos, com o banal telefone fixo custando perto de 15 mil reais e somente sendo entregue naqueles malditos planos de expansão que levavam até 20 anos para cumprir o prometido.


Foram as privatizações de FHC que salvaram o nordeste e os nordestinos da miséria pois ao ativar a economia nos seus polos avançados acionou a alavanca que movimenta todos os componentes da cadeia produtiva, que, sim, enfim, começou a girar como ocorre em toda economia capitalista, despertando, sim, interesses legítimos e ilegítimos de todos os tipos.


Lula encontrou uma economia complexa e para fazer política resolveu, espertamente, simplificar as coisas para que a mensagem fosse clara, convencendo o cidadão de que ele era o homem da luz, do conhecimento e da transformação.


Lula, enfim, foi um grande mentiroso, com a e…

A privatização petista

Por Lucas Echimenco





O ex-governador Alberto Goldman escreveu um texto em que mostra aquilo que no parlamento já é motivo de ironia. O PT chegou ao poder montado num discurso do tipo "vamos salvar o que é nosso", apelando aos brasileiros como se fosse o último padre lutando contra o demônio.


E Goldman, provavelmente cansado de tanta incompetência petista no governo, escreveu um longo texto do qual reproduzo o trecho inicial, mas cuja íntegra fica recomendada para leitura:
"O PT venceu tres eleições presidenciais seguidas. Um dos instrumentos mais importantes para a sua vitória foi criar um sentimento no país contrário às privatizações efetuadas, como se elas fossem contra o interesse público e contra o interesse nacional, além de que teriam sido envolvidas em processos de corrupção. Após anos, nenhuma falcatrua foi constatada, ninguém foi condenado apesar da ação do Ministério Público, da Polícia Federal, dos órgãos de controle e do próprio PT e de seu governo.  Mas o clima…

Maria Joana ouve conversas e nao pára de perguntar, como assim? como assim? como assim?

A atenção é uma coisa muito rara mesmo, a atenção continuada, então, aquela que parece ser um poder destinado a seres superiores, é hábito encontrado miseramente entre os viventes.


Vindo do flerte com ideias de morte, Maria Joana resolveu que melhor seria perceber entre os viventes que diabo lhes passava pela cabeça, ou que deuses maus resolvem dar-lhes conselhos, não pelo que diziam mas pelo que faziam.


E Maria Joana se viu sentada sozinha entre dois casais. Um à direita de quem da mesa olha, como dizem os cartorários, outro à esquerda em linha imaginária na sucessão infinita do espaço contido, diriam os semióticos.


O casal à direita de quem da mesa olha era feito por A e A, ambos mulheres. O casal à esquerda de quem estudou semiótica era feito de B e B, um do gênero que veste rosa e outro do gênero que em eras muito remotas vestia azul, significando que vestia azul mesmo. Na mesa dos cartorários rolava estranha confabulação. Ela disse: não consigo entender, na Bahia foi tão bom. A outr…

Maria Joana deseja morrer, incerta a causa, diminuta a proporção

Acontece. Mesmo na vida de uma pessoa muito simples, mesmo no aconchego religioso, mesmo na certeza garantida pela posse. A vida, parece, simplesmente não faz sentido nenhum. Mas Maria Joana, só você não sabe que a vida não tem sentido nenhum? Era uma conversa trivial que foi triscando causas fundas, dessas que vivem lá e criam uma segunda natureza, do mesmo modo como a beleza cria uma segunda natureza em todas as suas vítimas, na maioria, claro, mulheres. E vendo a vida bela, Maria Joana queria partilhar a beleza num figurino que fosse lindamente preciso, tão precisamente lindo que só poderia ser loucura. Nunca soube que a vida somente pode ser bela se a beleza não for um critério importante para vivê-la.


Ao ouvir essa argumentação, Maria Joana fez um olhar de criança traída por mentiras que ela, criança, não sabe explicar. "Mentiram pra mim ou todo mundo só quer saber disso mesmo, as pessoas decidem ser do jeito que são? Por que uma trabalha feito louca e ganha quase nada, a out…

Maria Joana encanta-se com tatuagens e até as debate, mas da discussão propende remotíssima luz

Ela disse: é algo que eu ainda não tenho resolvido, entende? É um passo decisivo, depois não tem volta. Se houvesse um Deus maior que pudesse reverter as marcas mais fundas do nosso pobre coração, da nossa pele tão linda que fica feia e envelhece tanto. Ponho a tatuagem no peito, no pescoço? Ou será melhor combinar com as curvas de lado, aí vai aparecer com vestido mas tem de ser sem alça, isso é absolutamente fundamental.


Enfim, propensão e pretensão os males das tatuagens são.

Maria Joana descobre que mulher-objeto gosta de ser objeto

Papo rápido amiga, eu acordo às 10 horas. Depois do café vou ao clube, aí tem piscina até meio-dia, almoço lá mesmo com algum amigo, e à tarde me divirto um pouco no shopping, aí eu saio com o doutor Ferreira e não tenho hora para voltar.


Maria Joana achou que tinha entendido tudo. "Ah! bom, você está de férias, mas o que você faz?". Agora foi a vez da moça da piscina se desentender: "eu trabalho este mês com o doutor Ferreira". Joana: "trabalha como?" Moça da piscina: "eu ajudo na elaboração do menu, acompanho na grande apresentação do Teliá, viajo até Buenos Aires, volto, nossa, fico tão cansada às vezes".


Mas a moça da piscina deveria ter uma ocupação mais normal, valorizar-se como mulher independente, ter opiniões, por exemplo, o programa da Ana Maria Traga precisa de um remake, ou seria de uma repaginada? E para poder criticar, a mulher também precisa ser independente do homem, chame Ferreira ou Mortágua. "Eu jamais ficaria à disposição …

Você votou no PT?

Quandos os petistas eram ninho de mesmo agouro, inventavam mentiras para ganhar eleições nos sindicatos. Passadas aquelas eleições, tendo perdido, apareciam para "compor". Tendo vencido, passavam a fazer as mesmas coisas que antes criticavam nos outros.


O problema das privatizações do PT é que servem mais à desinformação do que à formação de consciência de qualquer espécie. Próximo passo deles é faturar São Paulo, porque o tamanho do caixa é tentador, as taxas de sucesso serão decaduplicadas e a incompetência dessa cambada de brucutus será diluída.

Maria Joana começa a transar o corpo

Tantas voltas a cabeça deu que Joana, quase desquitada de Maria, rodou os calcanhares mais cedo na virada da noite na calçada dos bares da Vila Mandaqueutopo. Transar o corpo é uma expressão dos pós-reichianos da década de 70 do século que foi para o beleléu no dia 31 de dezembro de 2000. Mas isso não tem a menor importância pois o que manda topar mesmo é que Joana resolveu transar o corpo, justamente com o mecânico que não é mecânico e que salvava-vidas usando camisinha mesmo, melhor seria ter dito economizava vidas usando camisinha mesmo, que era a expressão que a amiga dos 2 935 homens lambidos com os olhos resolveu usar para fazer pose de intelectual. E, convenhamos, Reich cansou de usar a expressão economia da libido, logo, a amiga de quase 3 000 homens lambidos com olhos tinha adquirido direitos.


O começo do movimento pró-liberação vulvar de Joana, quase desquitada de Maria, foi um senhor tropeção bem na frente do economiza-vidas com camisinha mesmo. Ao ver aquela bunda quase em …

Maria Joana se arrepende mas vai fazer de novo

Passar  horas pensando em homens, isso é uma loucura. Lamber homens com os olhos, isso é uma loucura mesmo. Ficar com homens desconhecidos, não é uma pura loucura? Homens, pra que servem? Desde a morte dos dinossauros parece que a pergunta menos respondida na história dos seres de dois pés, dois braços e dois neurônios, continua a existir apenas para ser feita e preencher o vazio que a faz surgir.


Maria Joana foi à luta depois de uma rodada de bebidas, primeiro suco de maracujá, depois uma cerveja, depois outra cerveja, um copo de água, uma coca, outra cerveja, "fiquei alta, amiga", ela disse a uma vizinha do Bar dos putos, um refinado point de viradas noturnas, viradas diárias, viradas perdidas, viradas femininas, mas principalmente um lugar onde ninguém sabe exatamente o que está fazendo.


A destemida Maria Joana sabia, estava lá para preencher aquele espaço antigamente percorrido pelos ponteiros de relógio e que saiam das 22 horas e chegavam estourando à 1 hora da madruga. &…

Maria Joana conhece Maria Rita e gosta dela

Ninguém tentou agarrá-la. Uma hora e meia na boate, a amiga fazendo cair salva-vidas, homens fazendo subir curtas vidas, e ela esperando Godot. Tinha um bonitinho lá, aliás mais de um, muito jovens. A calcinha nova estava apertando mais do que o esperado. Qual seria maior alívio, tirar a calcinha para simplesmente ficar sem calcinha ou tirar a calcinha para ficar mais disponível? E disponível em qual sentido? Maria Joana se perguntava sabendo que até os seus grandes e pequenos cabelos sabiam a resposta. Ela foi buscar a resposta no banheiro. Lá, enquanto esperava conheceu Maria Rita, zonza, de óculos escuros à noite, jovem, não falava coisa com coisa, tinha bebido um treco meio doce, meio cinderela, meio prostituta, e Maria Joana esperava. O quê? Esperava vagar um dos closets. Pra quê? Bom, ela tinha decidido tirar a calcinha. E tirou, colocou na bolsa e por alguns instantes se sentiu a própria, aquela, ela, a outra, a da vida, a moçoila da calçada, uma puta, caramba.


Maria Rita lavou …

Parece simples mas não é

Maria Joana vai à boate

Foi numa noite de silêncio e cansaço. Silêncio na casa, que os filhos foram para a balada e o marido devia estar com a puta número 14 de algum cabaré distante. Cabaré? Maria Joana se perguntou. Cabaré é coisa de americanos. E balada o que era senão um misto de parque de diversões, motel e cabaré?
O cansaço não era físico, Maria Joana andava pulsando de tesão. Mas jamais iria a um cabaré. Jamais, sentenciou internamente, a menos que fosse na marra. Mal pensou isso e a corda arrebentou, o tesão pulsou na forma de uma voluta de contrações da vagina e subiu em direção a todos os campos já cobertos pela literatura romântica dos últimos dois séculos. Ela quase gozou.

Pegou o telefone e ligou para uma amiga. Mas a amiga estava de saída, para uma balada. Em rápidas palavras descreveu o lugar para onde estava indo sozinha, simplesmente a fim de ver se a vida era mesmo tão perigosa. E não era ruim aparecer lá sozinha? A amiga riu um riso gostoso como também já descrito pela literatura romântica …

Dondoca constrange professor e ele é que vai parar na polícia

Por Maurício Girardi. 

"Sou Físico. Pela manhã sou vice-diretor no Colégio Estadual Piratini, em Porto Alegre , onde à noite leciono a disciplina de Física para os três anos do Ensino Médio. 
"Pois bem, vejam só o que me aconteceu: estou eu dando aula para uma turma de segundo ano. Era 21/06/11 e, talvez, “pela entrada do inverno”, resolveu também ir á aula uma daquelas “alunas-turista” que aparecem vez por outra para “fazer uma social”. Para rever os conhecidos.
Por três vezes tive que pedir licença para a mocinha para poder explicar o conteúdo que abordávamos. "Parece que estão fazendo um favor em nos permitir um espaço de fala. Eis que após insistentes pedidos, estando eu no meio de uma explicação que necessitava de bastante atenção de todos, toca o celular da aluna, interrompendo todo um processo de desenvolvimento de uma idéia e prejudicando o andamento da aula. Mudei o tom do pedido e aconselhei aquela menina que, se objetivo de…

Ser volúvel é ser

Os adjetivos já mataram muita gente, de tédio. Há sempre uma forma exterior desejada e projetada. Por alguma razão, talvez matemática, os humanos projetam fixidez. O sujeito é elogiado por ser bonzinho e passa a tentar ser sempre bonzinho, ser sempre a imagem do bonzinho, que a gente sabe é o maior inimigo do ótimo, não deve existir ninguém pior do que um sujeito bonzinho. As mulheres sabem disso, os cafajestes clássicos, neobarrocos, neopuritanos (que os há) ganham todas as paradas da vida por que ganham de longe em quesitos inconfessáveis. Eles podem simplesmente ser, mesmo que do exterior dos fracos e oprimidos sejam chamados de volúveis. Eles são, simplesmente. A desgraça é que bom-mocismo é uma doença contraída no berço, cevada na carência dos primeiros anos e engordada nas primeiras ejaculações verbais precoces. Tenho a impressão de que a melhor afinação se dá entre um cafajeste e uma puritana.

Maria Joana e o ego inconsciente

Maria Joana sempre se achou melhor do que todo mundo. Nunca parou para pensar que seu silêncio e seu modo reservado de ser era uma forma de chantagem. Escondia algo do tipo "não falo com desconhecidos" mas aplicado a todo mundo, até quem não era tão desconhecido assim.


Para sentir-se confortável nos relacionamentos, sobretudo nos momentos de sexo, precisava sentir-se dona da situação, estava, portanto, movida por um bom critério, mas como se sabe o problema de todo remédio é que em doses elevadas vira veneno.


Maria Joana casou bem e filhos teve logo três, um de cada vez, claro. O marido virou filho a partir do nascimento do primeiro filho. O marido virou sócio a partir do segundo nascimento. E virou um ser social mantenedor profissional a partir do terceiro. Não se sabe direito em que momento ele percebeu que precisava mesmo era de uma boa amante, e experimentou logo uma fila delas.


Dois egos, um mesmo caminho. Coitado daquele que entrar na história.


Freud foi mesmo um cara geni…