Um povo precisa ir além da militância, ou será apenas cegueira coletiva


Fato histórico: a expressão "assalto ao poder" foi usada pelo socialista Lênin para um tipo de reorientação política. Quem diria que se chamaria um dia Mensalão?

Por Lucas Echimenco

A militância política já foi a imagem-símbolo daquele ser humano que desenvolve consciência política e paga com a própria vida a opção que fez, sendo então o emblema da luta pela liberdade.

Mas no seu momento mais importante, a militância era a ação política operada pelos movimentos socialista e comunista (sim, são diferentes ainda que enganosamente pintados de amarelo e vermelho). Era consciente entre intelectuais. Era mais ou menos consciente entre operários. Era nenhum pouco consciente nas chamadas classes intermediárias (nem ricas nem pobres).

Esse tipo de militância está morto. O que existe é um resquício mental, mais uma infantilização fanática do que expressão de consciência política.

Mas os partidos, hoje, requentam esse cadáver. Isso que se chama militância hoje é arremedo, é rascunho, é funcionário público pago, (portanto, pelo dinheiro público) para virar  plateia, claque que abana bandeiras e cartazes apenas para ganhar uns trocados. PT e PV são os que mais falam em militância, enquanto usam os cargos públicos para encher seus auditórios, e com presença controlada por bedéis da cúpula partidária.

Militância virou manada, torcedores que vão defendendo de olhos fechados o que patrão do partido acha que deve ser, mesmo que o Supremo Tribunal Federal diga, e prove, que essa defesa está a proteger rematados ladrões do dinheiro público.

As redes sociais estão infestadas desse militante, agora com o título de militante virtual, como se já não bastasse ser um militante-fantasma. 

A grande característica do militante virtual é que ele não está na rede para dialogar, nem para se informar e, assim, formar primeiro a sua própria consciência política.  Está, sim, para ofensas e descabidas escamoteações, usando qualquer argumento regido pelo interesse do grupo aboletado na prefeitura para fazer barulho e comparar barata com girafa.

Exemplo? Um partido, o PT, é o grande réu no banco do STF. A ação dessa quadrilha foi de tal porte que uma lei foi sancionada pelo senhor Lula para influir e forçar por meios "legais" a absolvição daqueles que praticaram peculato, lavagem de dinheiro, compraram bens com sabe-se lá que dinheiro, mansões em Tamboré 1 e em Ilhabela, hotéis, terrenos, tudo. 

É a nova elite econômica do Brasil, gente que se fez política (os) combatendo a política.

Hoje, o militante é antes de tudo massa de manobra. 

Ironia da ironias. "Massa de manobra" é uma expressão cara aos intelectuais de esquerda, queria dizer que o povo era usado como "massa" para agir conforme os interesses da antiga elite burguesa.

Um povo precisa ir além da militância, ou será apenas fanatismo, cegueira coletiva, mais ou menos útil a um ou outro mais esperto, que vê a brecha para se tornar vereador e ser mais um a alimentar o caldeirão que vê nos negócios públicos o caminho para casas em Tamboré e Ilhabela à custa da massa, bem manobrada, naturalmente.