Pobreza não é mérito, também não é só demérito

Os temas que o Brasil precisa debater estão indo para debaixo de todos os tapetes.

De um ponto de vista pessoal mais neutro, os últimos acontecimentos no Brasil são até positivos. Não deixa de ser interessante que tenha partido de um ponto de vista preconceituoso, parecendo moldado no mando dos velhos senhores de engenho, o pontapé inicial nesse esporte que deveria ser jogado com a cabeça.

O que se disse de bobagem por uns 30 dias seguidos na esfera política é um marco da história do Brasil.

"Ideais universais" são uma expressão de estudiosos, dizem respeito a valores que uma sociedade deveria almejar (numa explicação bem singela já que entre os tais acontecimentos encontra-se a gritante falta de compreensão de textos mais profundos). Pois a discussão sobre legalidade, moralidade, neutralidade e demais passou bem longe de qualquer ideal universal (quer saber um pouco mais sobre ideais universais, comece relendo algo sobre a Revolução Francesa).

Do ponto de vista de um sambista, o Brasil é um pagode de uma nota só.

Pense um pouco: houve uma campanha eleitoral em que os dois maiores expoentes desse novo Brasil, consumista, religioso de circunstâncias, moralista e mentiroso, jogaram para debaixo do tapete das conveniências a questão do aborto, um dado mais do que real, mais do que trágico. Só para lembrar, o Brasil é campeão mundial de meninas que ficam grávidas, dizem que sem querer, meninas que foram à padaria e "pegaram barriga".

Parece que os historiadores terão um fardo a mais. Eles terão de responder, já sem utilidade qualquer, momentosa e decorosa questão:

Teria a presença de Fernando Henrique Cardoso sido uma espécie de baliza que servia aos brasileiros, ao menos no rolar das aparências, como um freio para não se escrever nem se dizer tanta asnice?

Nesse caso, Lula é uma espécie de ruptura desse freio, com o Mensalão sendo o carimbo de libertação para tudo, da grosseria na calçada ao bate-boca facebookiano?

Espesso é o mistério.





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