A primeira entrevista da primeira-ressuscitada




O tempo passou na janela e só Maria Joana viu. Tanto viu que apareceu na hora certa para aquilo que chamaremos por toda a eternidade de primeira-entrevista, afinal, a primeira-ressuscitada agora carrega uma aura, que ninguém vê, como uns dez milhões de seres vivos que andam a passo de formiga logo ali, na rua do lado (Como é que cabe tanta gente ali? Vou perguntar isso a Maria)

Ela chega vestida de rosa sobre rosa, ton sur ton, como dizem os franceses. O caminhar de Maria, ainda Joana, está um pouco diferente, meio lento, meio ai como sou gostosa, enfim, ela é gostosa e sabe disso.

E parece estar a par, sem dizer, do fato de que todo ser que passou por uma experiência de quase morte, que os gringos chamam de Near-Death Experiences, ou de pós-morte, que os gringos chamam de pós-morte mesmo, é um candidato a religioso, desses que falam em Deus a cada dois segundos, e candidato infelicianamente a prefeito ou governador, assim, logo de cara, que de cara estamos lavados até o excesso da erva daninha da esperança.

É, portanto, diante de um candidato, de um duplo ou triplo candidato, que a equipa de reportagem se posiciona. Perdoem, mal descemos do avião e cá estamos como se Portugal fosse apenas uma série inaudita de refrões e assertivas que rimam bem, mesmo diante do mal.

Como é que Portugal entrou nisso? Bain, é que a primeira-ressuscitada resolveu convocar entrevista em Coimbra, não gostava da ideia de ir a Roma, onde vistosos governantes brasilairos estavam hospedados. E nem pensar nos gastos brasileiro-romanos, que ultrapassam o céu dos que do céu sabem pouco.

Como se sabe, de certo ano a partir de 2000, que as festivas gentes do governo brasileiro desgovernam no bom gosto, na simplicidade e na concepção que têm dos gastos que pesam no bolso daquele infeliz que já se pode chamar contribuinte. Diz-se até que depois de 2014 serão 55 os ministérios inúteis, escondidos por trás de 3 ou 4 que servem para o gasto e justificam a existência.

Tanta peroração, porque Maria Joana, a primeira-ressuscitada, chegou mas não chegou. Chegou ao pórtico, precedida de vistosa e bem-paga publicidade, o que lhe rendeu a fila de crentes vários que rogam por beijar sua mão, a direita ou a esquerda, tanto faz, desde que ela não faça gestos bruscos para mostrar os anéis, que não os tinha, que agora os tem, que a partir d'agora sempre os terá, seja ou não ruminante cacófato expressão que termine com o “sempre os terá”.

Por isso, Joana precisa de mais tempo, e mais tempo terá.

http://lucasechimenco.blogspot.com/2013/05/maria-joana-ressuscita-volta-20-anos-no.html

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