Editorial do concorrente



The New York Times e The Washington Times são dois jornais concorrentes nos Estados Unidos. Mas isso não é nenhuma novidade. Há uma quantidade e variedade enormes de publicações no mercado norte-americano. Estima-se que, somados os periódicos de fim de semana, como as revistas, são produzidos cerca de 65 milhões de exemplares, mesmo em tempos de maior frequência de público no mundo on-line. Bem diferente do que acontece no Brasil.

Enquanto o “grande” New York Times pode se dar ao luxo de ter colunistas de todas as partes do planeta, sobretudo como ferramenta de marketing, as publicações menores, como o Washington Times, fortalecem suas posições voltando-se para as necessidades internas.

E uma dessas necessidades é entender o que significa uma alteração na composição da ONU (o Brasil quer ter assento permanente, como a Rússia, França....).

Por isso, logo após a visita da gerente do Brasil, Dilma Roussef, aos Estados Unidos, o periódico washingtoniano publicou um editorial em que tenta mostrar que Dilma Rousseff é, sendo bem direto, uma governante-gerente-chefe duas caras; diz o que os americanos querem ouvir mas vota a favor de tudo que seja tido como bom para os Estados Unidos e chamam isso de política externa.

Texto que já frequenta os emails no Brasil, traz o aviso dessa bipolaridade lulo-petista-dilmaniana e traduz a primeira parte desse editorial. (Perdõem o pessoal do PSTU e PSOL que tem orgasmos múltiplos quando tem pela frente o tema em questão).

Enfim, diz o editorial do Washington Times: "a sra. Rousseff é um exemplo da dura esquerda anti-americana que está se unindo aos países emergentes para testar o poderio dos Estados Unidos. Uma das principais metas da missão dela em Washington é obter a aprovação do presidente Barak Obama no que se refere à ambição brasileira de participar do conselho de segurança da ONU. O apoio americano para tal seria auto-destrutivo, pois o Brasil votaria contra os interesses americanos no mundo. A sra. Rousseff, sendo ex-guerrilheira comunista, apóia fortemente governos ditatoriais e anti-americanos, como Cuba dos irmãos Castro e a Venezuela de Hugo Chavez. Ela também apoia os esforços do governo iraniano para a aquisição de armas nucleares, ao mesmo tempo que lidera um grupo de países que pressionam os EUA no sentido do desarmamento nuclear. Se o planeta está dividido entre aqueles que estão a nosso favor e aqueles que estão contra nós, a sra. Rousseff está do lado errado".

http://www.washingtontimes.com/news/2012/apr/9/obamas-brazilian-model/3 Saudis sentenced to 6 years for plot to kill Americans


Notem o tom autossuficiente do editorialista, cuidando de deixar bem claro que manda hoje no hospício que é o mundo hoje. Curiosamente, o mesmo jornal tece enormes elogios a Lula, que pensa e age exatamente como a gerente em exercício. 


Num texto de outubro de 2011, uma reportagem sobre o então emergente câncer de laringe reproduziu quase que literalmente o texto da propaganda brasileira em inglês: 

Silva, known as "Lula" in Brazil and abroad, was elected president of Brazil  in 2002 and re-elected in 2006. Under his leadership, Brazil experienced solid growth: The country’s international reserves ballooned from $38 billion in 2002 to $240 billion by the end of 2009, inflation was tamed, 20 million people were lifted from poverty and nearly 40 million moved into the middle class.

Em resumo, o jornal diz que o Brasil, com Lula, viveu "sólido crescimento". Fica de fora a realidade da dívida monstruosa, do consumidor endividado e da infraestrutura decadente, seja para suportar a produção de grãos seja para melhorar a matriz energética, que anda à beira do caos. E não diz uma única palavra sobre os 39 ministérios da gerente do Brasil, caros, inúteis no mais das vezes, palancóides gerenciados por compadres despreparados e que movem os recursos em direção ao infinito dos seus bolsos.


A bela imagem publicitária que The New York Times fará chegar aos seus leitores já chegou faz tempo às páginas de uma das mais importantes revistas americanas, a  New Perspectives Quarterly, já nos dias do primeiro mandato de Lula. Vem daí a familiaridade em fechar com o Times.

Lula logo perceberá que toda essa propaganda não fará o planeta girar ao contrário, é apenas pedacinho minúsculo de uma realidade complexa, que a narração de dois jornais apenas vai explorar para faturar. 

Coisas do jornalismo, coisas do mercado. Ruins, mas as opções para substituí-las são muito piores.

Comentários