Maria Joana ressuscita, volta 20 anos no tempo e se arrepende


Maria Joana frequentou difusa dimensão. 
Se encarou as Górgonas não disse palavra. 
Se conheceu o Demônio, nem piscou. 
Se viu Deus, parece tê-lo confundido com Dorian Gray. 
Se visitou o Gólgota, não trouxe nenhum sinal das caveiras.

De fato, Maria Joana não tem sinal novo na face, daqueles nascidos no medo, no frio e na solidão. 

Deve ser um desafio e tanto sair da superficialidade de uma dimensão mesquinha e burra, como a nossa, libertar-se do cárcere que é o corpo humano, e desfrutar a liberdade de uma camada de vida livre e sem tantos pedágios inúteis pelo caminho.

Mas a volta a esta dimensão parece mesmo condicionar o retorno da miséria à miséria.

E Maria Joana entrou em silêncio terreno.

Por quê? É ruim voltar? Não sente vontade de voltar lá para o Dorian do espelho?  Ou lá não precisa usar botox? Envelhece ou rejuvenesce por dentro partir desta para a melhor?

Uma única coisa parece certa. Maria Joana se arrependeu de voltar. Mas como é possível saber dessas duas sensações?  A primeira está implícita na ideia de que algo há de melhor lá que nem vislumbra cá. A segunda é a do próprio arrependimento. Como alguém pode ser arrepender do fato de não ter opção?

Maria Joana pediu tempo e tempo terá.



Maria Joana
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