Periferia, o embrulho de uma enganação

Primeiro, eram as favelas. E favelas existem no mundo todo.
Depois, chegaram as periferias. Chegaram é modo de dizer, apenas fizeram com aquilo que era ruim no conjunto, sem ser tão ruim quanto uma favela, aquilo que já tinham feito com as favelas. A moda era "vamos urbanizar as favelas". 

E tudo foi sendo levado para as novelas, sobretudo se dava ibope. Deu tanto ibopezinho que se esqueceram de que a urbanização era apenas o primeiro cuidado, urbanizar algo ruim é tornar permanente a vida ruim das pessoas que moram lá e não tem como reagir. 

Não é justo com quem mora na periferia, não é justo com os favelados.

Mas ter consciência da condição em que se vive é o primeiro passo para decidir se se continua ou se busca um meio melhor de viver, menos o Adriano que, Rei de Roma, queria mesmo é ser rei morto na favela.

A miserável virada cultural é apenas a outra face dos eventos que as prefeituras realizam e que chamam "Prefeito no seu bairro" ou parecidos.

São a realização que prova a ausência do poder público, a ausência de gente séria nos postos-chave da administração pública, o que só pode dar mesmo nessa "lavagem cultural".

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Levantar a ponta do véu da saúde mostra que a noiva está sem calcinha

O complexo de Édipo na política brasileira

O que o PSDB precisa fazer para ser PSDB?