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A santa Maria Joana, enfim.

No caminho de volta há sempre uma entrevista pomposa. Padre, médico, astronauta, cantor, ator, não há remédio, aparecerão dizendo aquelas frases de sempre no programa da Ana Maria das Oliveiras Traz-os-Montes Que o Tejo Se Mude para Sento-Sé. Esses e seus contrapartes femininos, sendo parte os homens, sendo contrapartes as mulheres, mas isso foi há muito tempo. Surgiram depois diversos géneros, ora pois, que de calças compridas andavam até as tampas e de calcinha e soutien reclamavam os diversos sexos, todos eles da contraparte quando em estado de remanso. 

E por que haveria de ser diferente com Maria Joana, aquela que nasceu para ser ninguém, viveu sendo quase isso, morreu sem saber de nada disso? Muitos desses já morreram, que o anonimato é uma forma de morte. Mas que tenha havido alarido público, passeata histérica numa avenida paulista, ah! não! senhor doutore, isto somente Maria Joana tem, ou acha que tem.

De que morte morrida sofreu a senhoira?

Bain, disse MJ, ja sotaqueando os lusos bem lusófonos, eu estava indo ao atrevimento e sofri a desventura de dormir mal. Quando acurdei, já não estava cá, mas lá, bem para lá de lá, que lá é um lugar muito longe. 

E como identificou a lonjura do lá? 

Bain, defrontei-me com um anjo bestial à altura do terceiro minuto. Quieto ele... Olhou assim com um olhar de escocês sem boina, como que dando a entender que o caminho era aquele mesmo.

E o que fez a senhora menina?

Bain, fui e fui. Lá pelo décimo minuto comecei a achar tudo muito estranho. Havia umas luzes, um túnel que não era túnel, um corredor arredondado que parecia viajar junto com o viajante, enfim, um corredor que não era corredor.

Ouviu algum canto ritmado, um tocar de trombetas ou de oboés?

Bain, não me foi possível ouvir nada, nem cantos, nem obas, opas, nada disso. Por que haveria? Percebi logo tratar-se dum lugar santo, sagrado, sagradíssimo.

E qual foi o elemento sagrado deflagrador da percepção?

Bain, pois está claro, Deus. 

E como é Deus?

Bain, Deus é Deus, nunca envelhece, tem um rosto perfeito, queijo forte, ulhar profundo, lábios macios, cabeleira bem-posta.

Mas como, Deus usa capachinho?

Bain, não destes que vemos cá, mas dalgum tecido diferente somentemente encontrado lá, parecendo carregar luz, com devolteios transbordantes, uns tais que não levam menos de duas horas ao toucador.

A esta altura, a entrevista foi como que interrompida. As risadas ecoavam à calcaporra, uma espécie de perdona ahora que mañana ayunaremos. Deus ao toucador.... Duas horas de santidade ao espelho por dia.... 

Voltaremos direto de onde... de onde mesmo?

http://lucasechimenco.blogspot.com/2013/05/a-primeira-entrevista-da-primeira_27.html

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