Preço das passagens é o pãozinho com manteiga de algo que foi orquestrado



Como se inicia um movimento parece fácil de ver. Parece claro, a esta altura, que o valor das passagens dos transportes coletivos é apenas o elemento concreto ao qual se apegam os vários formatos de adesão a um movimento que se iniciou de maneira programada. Partidos de esquerda há dois anos vinham arregimentando, estimulando, com que dinheiro ainda não sabemos.

Os descontentes do PT certamente estão nisso. Eram parte das alas mais radicais, cada vez mais inconformadas com o fato de que o PT como partido se tornou igual àqueles partidos combatidos.

Mas desde as Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos, já se sabe a importância de dar voz a gemidos e reclamações solitárias, os quais vão num crescendo mudo. 

De repente, as tais vozes da rua começam a se fazer corpo e massa. 

Nesse sentido, há dois ensinamentos. 1) Usar aquele esquema APEOESP para fazer da avenida Paulista uma arma contra o governo do Estado não funciona mais. 2) Se o PT quer mesmo ganhar a eleição em 2014 precisará que Haddad seja prefeito. Lula no ouvido dizendo isso e aquilo também é sinal de fracasso.

Precisamos ver agora como os pró-Lula e mensalão vão se comportar no STF. Convém lembrar que Genoíno e JP Cunha assumiram cadeiras no Congresso com a maior desfaçatez. Vamos ver até que ponto isso que chamam movimento não passa de fogo de artifício.


E no mais, há algo maior ainda. O nosso voto. Cada vez mais temos a noção do tamanho da prostituição que o PT promoveu nas instituições. O TSE, hoje, pode ser chamado, sem medo, de subsede do acordo pró-PT. 

Números e coincidências que antes pareciam brincadeira de somar ao acaso agora tomam corpo e voz também. 

Sem um processo eleitoral que garanta a veracidade do voto não haverá representação política segura. Será o obstáculo mais perigoso e mais silencioso disto que ainda chamamos movimento.

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