Bolha imobiliária já estourou


Análise de Ossami Sakamori

Quem apostou na bolha imobiliária perdeu dinheiro




Este é o último texto de uma série que venho escrevendo sobre comportamento do mercado imobiliário no Brasil. Posso escrever sobre o tema no futuro, mas não terá relação com a bolha imobiliária. A bolha imobiliária no Brasil já estourou.

O mercado de imóveis retraiu nos últimos 12 meses. As construtoras estão oferecendo desconto que varia de 20% a 30%. A Caixa Econômica Federal vem fazendo promoções para os mutuários assumirem o financiamento somente em janeiro de 2014. Isto configura que a bolha já estourou.

As construtoras, com os descontos anunciados, estão diminuindo sua margem de lucro de 100% para 50%, grosso modo. Em alguns casos, simplesmente, estão trocando seis por meia dúzia. Enfim, o mercado imobiliário, com os descontos concedidos em relação ao preço de lançamento estão entrando nos eixos. O mercado imobiliário está entrando na normalidade. O boom, ou a bolha, já acabou.


O efeito acontecido nos EEUU em 2008, que ocasionou a crise financeira mundial, não vai acontecer no Brasil. Lá os financiamentos imobiliários são concedidos com recursos dos investidores ou dos poupadores. Lá houve também a bolha imobiliária como houve aqui no Brasil. O que houve é que lá nos EEUU, quem arcou os prejuízos da inadimplência foram os bancos privados.


Naquela ocasião da crise bancária, o governo dos EEUU deixou um banco importante Lehman Brothers ir a pique, não socorreu para evitar a quebra. Daí em diante todos vocês sabem, o que ocasionou, veio a crise financeira internacional de 2008. Os EEUU, após 5 anos da crise, somente agora, está entrando na fase de normalidade. Os americanos comeram o pão que diabo amassou.


No Brasil, na sequência da bolha imobiliária, certamente virá a crise da inadimplência, como a que ocorreu nos EEUU. A diferença é que no Brasil a fonte de financiamento imobiliário é diferente dos EEUU. Lá o financiamento é com fontes privados. Aqui no Brasil a principal fonte de financiamento é da CEF, com recursos da caderneta de poupança e do FGTS. A caderneta de poupança é uma aplicação tradicional no Brasil, dificilmente haverá crise de liquidez por conta do crédito imobiliário. O FGTS que é a maior fonte de financiamento são providos com recursos privados, dos trabalhadores, mas as regras impostas impedem corrida a saques.


Pelas razões expostas acima, a crise hipotecária no Brasil, não acontecerá. Poderá no futuro haver escassez de recursos para novos financiamentos habitacionais. De certa forma, isto poderá causar depressão nos preços dos imóveis residenciais, mas nada que o mercado imobiliário já não tenha vivido em passados recentes.


A crise econômica no Brasil está recrudescendo. O poder aquisitivo da população vem sendo dilapidado pela inflação. A classe emergente que impulsionou o mercado em geral e mercado imobiliário em particular, está com água pelo nariz, quase submergindo. As construtoras com estoques e projetos na mão vão encontrar dificuldade para encontrar compradores. ´


A hora é dos compradores. Quem está para comprar imóveis para moradia, poderá fazer bom negócio. Poderá exigir das construtoras descontos entre 20% a 30%, sem pestanejar. Poderá exigir das construtoras, conforme o caso, apenas assumir o financiamento junto a CEF, sem entrada. E de quebra pedir a mobília da cozinha. Nada de entrar no financiamento dos móveis do programa MCMV. Ganhe de graça das construtoras.

Quem apostou na bolha imobiliária se lascou. Os vários imóveis que adquiriram dando entrada, não encontrarão quem assuma o restante do parcelamento da entrada. A própria construtura oferecerão condições excepcionais, quem sabe até abrindo mão da entrada. A estas pessoas recomendo pararem de pagar as prestações restantes da entrada porque não vão reaver nem o que já pagaram. Esqueçam o dinheiro que foi aplicado. Façam de conta que perdeu no cassino!


Continua valendo a recomendação aos que estão para adquirir imóvel para morar, a de comprar imóvel pronto. Nada de comprar imóveis na planta, mesmo que a construtora tenha conceito na praça. O futuro, ninguém sabe, sobretudo no quadro econômico que está a despontar no horizonte.


Na inflação, a experiência mostra que o dinheiro vai migrar para aplicações financeiras. Os imóveis serão os últimos a serem procurados como investimentos. O quadro geral mostra que as imobiliárias e construtoras vão encontrar fases difíceis. É a volta à normalidade. É o resultado do estouro da bolha imobiliária.
  

Ossami Sakamori, 68, engenheiro civil, foi professor da UFPR, filiado ao PDT. Atua também no ramo de construções.  E-mail:  sakamori10@gmail.com

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