Uma análise da origem do nome e das práticas democráticas.

Por Mário Luís Guide


Democracia: os "muitos" e os "poucos"


Os Gregos inventaram a democracia como regime político. “Demos” é uma divisão geográfica de cidade como “bairros”, “distritos”. “Cracia” vem de “Kratos”, poder. A democracia era o poder do povo dos bairros, a maioria pobre da cidade. Era o governo dos “muitos”. Em oposição ao governo dos “muitos”, no mundo grego, havia a oligarquia. “Oligói” era “poucos”. “Arquia” vem de “arché”, poder: era o “poder dos poucos”, em “beneficio dos poucos”. Para alguns pensadores, haveria uma tendência interna na própria democracia que a levaria necessariamente à oligarquia. O “governo dos muitos”, a democracia, começa a governar para os “muitos”, depois, necessariamente, começa governar em “beneficio dos poucos”, da oligarquia. 
É a lei férrea da oligarquia, inerente à própria democracia.

Alguns pensadores observaram fenômeno semelhante nos partidos políticos contemporâneos. Analisando os partidos ligados aos trabalhadores observaram uma tendência à oligarquização: ou seja, eles começam como partidos democráticos, onde as decisões são tomadas por “muitos”, e lentamente, estes “muitos” são substituídos por “poucos”.
Estes “muitos” são substituídos por “poucos” mais preocupados com os “problemas dos poucos” e esquecem os “problemas dos muitos”!


Uma das conseqüências deste processo é que as decisões importantes do partido passam a ser feitas por “poucos”. De outro lado, “os muitos” que antes se sentiam representados pelo partido, não se sentem representados pelos “poucos” que decidem em favor dos “poucos”.
Nas recentes manifestações populares, entre as várias palavras de ordem havia uma que dizia: “Os partidos não nos representam”. Ao longo da história brasileira, os partidos não são muito apreciados. Não é raro você ouvir: “Eu voto na pessoa, não no partido”. Uma parcela considerável de brasileiros não se sentem identificados com os partidos políticos. Mas esta questão se agravou nos últimos anos. Acredito que em parte isto se deve ao afastamento de alguns partidos dos anseios da maioria da população brasileira, não nas palavras, mas nas atitudes.


Os partidos políticos mais sérios, precisam repensar suas práticas, e cumprir bem sua função, que é organizar a vontade política de setores populares, e converter esta vontade em leis e atos administrativos, em políticas públicas de interesse popular.

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