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A euforia paralisante do pré-sal

Por José Aníbal


Em outubro a Petrobras completa 60 anos. Depois de realizar o mais difícil, que era crescer e se internacionalizar, a gigante brasileira voltou a andar para trás. Toda semana sai notícia sobre um novo pedaço da estatal sendo faturado no exterior.
Sacrificada por administrações temerárias, a Petrobras encolheu, endividou-se, perdeu força e mercado. Sem resultados reais para mostrar, decidiu alterar subitamente seu regime de contabilidade.
No ano 2000, um corajoso plano de internacionalização da empresa foi colocado em andamento. Competitiva, eficiente e com saúde financeira crescente, a Petrobras adquiriu ativos no exterior que fizeram dela líder em exploração e produção de petróleo na América Latina.

Em 2007, os negócios da Área Internacional cobriam 26 países em três continentes -- da Argentina à Angola, dos Estados Unidos ao Senegal, de Cingapura ao Paquistão. A Petrobras detinha 13.174 poços produtores, 112 plataformas, 189 navios e quase seis mil postos de venda.

Então veio a euforia paralisante do pré-sal. O país suspendeu o ritmo de expansão da atividade, congelou investimentos em produção, desligando da tomada a vibrante companhia. Pararam tudo para repensar as regras que fizeram da estatal dinâmica e agressiva.
Poços se esgotaram, encomendas atrasaram, investimentos propagandeados como estratégicos tornaram-se sacos sem fundos de recursos públicos. Pior: fizeram da Petrobras parceira de grandes loroteiros internacionais.

Também tiveram a genial ideia de fabricar o preço da gasolina. Não bastasse a bolha inflacionária gestada, os prejuízos com importação de combustível bateram R$ 23 bilhões em 2012 (e seguem crescendo).
Com a maior alavancagem de sua história e com o Real derretendo diante do dólar (no momento em que escrevo este artigo a cotação ultrapassou R$ 2,40), a Petrobras preocupa.
De Petrossauro, a gigante brasileira passou a ser vista como a companhia que reinventou o setor. A regressão que se seguiu é lamentável neste mundo de alternativas e oportunidades cada vez mais escassas.
Quem conhece a história sabe. Primeiro vieram o aço, a energia elétrica e o petróleo. Depois deles veio a indústria e então nasceu o Brasil contemporâneo. A Petrobras é um dos motores do desenvolvimento econômico que tanto melhorou a vida dos brasileiros. E seu papel para o futuro será ainda mais decisivo.
Vítima de irracionalidades próprias do uso político que se fez da companhia, a Petrobras vai se afastando cada vez mais das líderes mundiais, a despeito dos esforços genuínos empreendidos pela atual diretoria.


José Aníbal é economista e secretário de Energia de São Paulo

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