Faltam médicos, professores e juízes

Dilma e PT fazem propostas que implicam revogar, ou desrespeitar, a Constituição, O Código Civil e o Código de Ética Médica. Isso e mais um pouco.


Allan Zimmermann
Médico Neurologista e Advogado


Em breve a Amazônia será povoada por médicos cubanos, quiçá alguns espanhóis e portugueses. Será sem dúvida, uma espécie de reflorestamento médico. Mas para que isto ocorra, algumas leis terão de ser mudadas: 

A primeira será impedir a liberdade ir e vir. Sim, porque qualquer médico que tenha que atuar nas regiões para as quais os governos pretendem que eles vão, sem dúvida irão... E logo, muito rapidamente, “virão“ para os grandes centros, de tal sorte que o povo continuará à míngua, desassistido. Teremos que impedi-los de migrar.

A segunda questão legal é a que se refere a revalidação do diploma. Terão que ser dispensados, até porque a medicina em Cuba ao contrário do senso geral, limita-se a uma assistência tão primária, melhor dizendo primitiva, que qualquer enfermeira brasileira é muito mais gabaritada para atuar na prevenção das patologias do que os referidos colegas. Aprovação numa prova brasileira seria quase sempre impossível, então melhor dispensar logo a revalidação do diploma.

O terceiro tema legal, surge do fato de que a presidente quer que, a estes médicos, seja permitido apenas trabalhar no SUS. Para isto diversas outras leis, parte do Código Civil e até mesmo da Constituição terão quer ser mudadas. Sem problema, o Congresso está a serviço do Executivo e isto não será nenhum obstáculo.

Temos ainda um quarto problema: proibir processos contra médicos. Sim, porque com apenas um estetoscópio na mão, numa cidade que fica a 20 horas de barco de qualquer lâmpada acesa, povoada por pessoas cuja cultura se limita à (eventual) educação pública que o país oferece, o médico ficaria exposto a um número inaceitável de erros. O Código de Ética Médica também teria quer mudado porque hoje não permite o trabalho médico nestas condições.

E, finalmente, a Polícia Federal teria que ter sua atuação restrita, talvez proibida na fase de reflorestamento médico. Afinal, sabe-se lá, podem querer fazer com os médicos cubanos o mesmo que fizeram com os pugilistas na época do Pan-Americano e, se os devolverem à Cuba com a mesma rapidez com que foram deportados, isto seria um desmatamento médico – verdadeiro desastre ecológico.

De qualquer forma, faltam também professores em todo o Brasil. Podemos começar a pensar em importá-los. Tanzânia e Azeibarjão são boas opções. Professores baratos de países que estão melhor colocados que nós no ranking mundial de educação. Até a vizinha Venezuela, poderia – aproveitando a amizade entre os governos – enviar alguns professores para cá. Isto pelo menos minimizaria o problema das diferenças linguísticas.

Uma opção interessante para evitar que mudemos as leis, aproveitando ainda a gigantesca carência de juízes, já que vamos dispensar provas de títulos, poderíamos pegar uns 300 mil bacharéis de direito que estão sem OAB e empossá-los juízes. Obviamente com a condição de que estarão obrigados a atuar nas mesmas localidades dos médicos estrangeiros. E proibidos de condená-los por qualquer ato ilegal, inclusive fugir.

Comentários

Getulio disse…
Excelentes as pontuações de Allan, mas faltou lembrar que a "importação porguguesa e espanhola" é mero disfarce por causa da reação inicial. Querem é legalizar os brasileiros que estudaram um curso que intitulam medicina, mas que nem em Cuba vale.
Esses médicos "formados em Cuba" (para outros fins, claro), para medicar naquele pais necessitam fazer mais dois anos de faculdade e ainda prestar um exame lá.
Lucas Echimenco disse…
Ou seja, importação de "médicos" é política partidária, e das mais sórdidas. PT.

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