Dilma Rousseff não se elegerá em 2014.

 Dados do Ibope são muito bons para a oposição


Por Ossami Sakamori

A presidente Dilma Rousseff seria eleita no primeiro turno das eleições em três dos quatro cenários avaliados por uma pesquisa do instituto Ibope divulgada na quinta-feira (24 de outubro). Contra o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), tidos como os oponentes mais prováveis, a petista teria 41% dos votos --mais do que a soma dos adversários, que ficariam com 14% e 10%, respectivamente. Fonte Folha.

E daí?

Sabemos que as eleições só acontecem em outubro de 2014, precisamente no dia 5 de outubro. O tradicional jornal, bem destacou que a presidente Dilma seria eleita no primeiro turno se o pleito fosse realizado hoje, ou melhor dizendo, na quarta-feira passada, dia 24.

Na minha análise considero número alvissareiro para a oposição. Os números refletem o quadro econômico totalmente conjuntural. Digo conjuntural porque a economia está engessada ou controlada pelo governo, conforme inúmeras matérias que já postei.

O monstro da inflação está dominada, por hora, com dólar depreciado ou real valorizado artificialmente. Está dominado pelo controle sobre tarifas administradas como combustíveis e energia elétrica. Esta é a política econômica (sic) equivocada da presidente Dilma, que foi alertada nesta semana pelo "auditor" das contas públicas, o FMI.
 

A despeito do engessamento da economia, no nível macro, o plano econômico eleitoreiro está fazendo água. A economia está sendo gradativamente dolarizada, grande parte por meio da emissão de título da dívida pública atrelado à variação cambial, num volume expressivo, US$ 100 bilhões, volume que será lançado até o final deste ano. 

Enfim, o mercado financeiro está perdendo confiança no real, algo semelhante ao que está ocorrendo na Argentina. Se bobear, teremos o efeito "tango".

Ao bolso de cada cidadão, no meu, no seu e no do povo, a inflação está longe, põe longe nisso, daquela anunciada pelo governo, ou seja IPVA, dentro da meta do Banco Central de 4,5% com margem de 2% para cima ou para baixo. O teto da meta, tão "comemorado" pela Dilma e sua equipe, está ao redor de 6%. Quem acredita que inflação no bolso do cidadão brasileiro está em 6% nos últimos 12 meses? Isto é piada? Já escrevi sobre este tema, recentemente, para melhor compreensão do fenômeno.

Ainda neste ano ou no raiar do ano que vem, a Petrobras fará o reajuste de combustíveis, inexoravelmente. Dentro do quadro exposto acima, o reajuste de combustíveis será como, literalmente, jogar gasolina na fogueira. O reajuste de tarifas de energia acontecerá no primeiro trimestre do ano próximo, conforme previsto no contrato de concessão de cada Companhia. E ainda por cima a tarifa de energia virá com péssima novidade, ou seja, selos para pagar energia gerada pelas térmicas.

O parque industrial brasileiro está à beira da falência por causa do dólar depreciado. As importações estão vindo com toda força. Os chineses, coreanos e japoneses estão vindo com todo vigor, desnacionalizando as poucas companhias brasileiras. Daqui a pouco, o brasileiro estará falando a língua da terra do Xi Jingpin, o mandarim.

Nada contra chineses, coreanos ou japoneses, mas brevemente os ícones dos empresários brasileiros como os Ermínio de Moraes hoje, ou Matarazzo de ontem, ficarão apenas na saudosa história da colônia portuguesa. Os novos empresários, como os Batistas, ( OGX e JBS) desaparecerão na mesma velocidade com que despontaram como ícones de empresários bem-sucedidos. Aliás, o primeiro Batista já se afundou com os seus castelos de papel.

O quadro econômico do ano que vem, com as medidas econômicas represadas por interesse eleitoreiro, querendo ou não a equipe econômica, mudará inexoravelmente. No regime de livre mercado, mesmo não sendo totalmente, o governo pode controlar a inflação por um algum tempo, mas não tem condições de controlá-la todo tempo. Quando explodir, deverá tomar medidas amargas para contê-la. Não tem remédio doce. Todo remédio é amargo, sobretudo para população de classes C, D e E, reduto petista.

Por estas razões, acredito que o quadro das preferências eleitorais para o ano que vem será totalmente diverso deste apontado pelas pesquisas deste mês.

Muitas águas vão rolar debaixo dessa ponte até 5 de outubro de 2014!

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