A mesmice sem sal nem açúcar do PSB-Rede


Por Rubens FigueiredoConheça-o clicando aqui
Publicado originalmente no Estadão de 29 de novembro de 2013.


O documento do PSB-Rede decepciona. Uma mistura de diagnóstico e um enunciado genérico de intenções, passa a nítida sensação do "dèja-vu". Pode parecer incrível, mas para quem se propõe a ser o novo e gera tanta expectativa, falar em "universalização da educação", "redução das desigualdades regionais", "práticas atrasadas na política" e garantia aos direitos humanos é tão empolgante quanto dançar com a irmã no baile.

Além disso, a proposta aborda superficialmente duas grandes questões fundamentais. Uma, é o nosso modelo de desenvolvimento, que está levando à involução da nossa economia. Outro, é o papel central que a educação necessariamente deverá ter no nosso futuro imediato. O documento reserva tímidas oito linhas ao tema.

O texto traz frases de fazer inveja a uma letra do Djavan: o que significará, por exemplo, "observância às diferentes ordens de transversalidade"? Em outro trecho, ensina que a autonomia popular é um dos "elementos estruturantes". Imagine o que o brasileiro médio pode pensar dessas coisas.

O documento aponta o destino e não faz referência ao caminho. É de se elogiar a preocupação com a reforma urbana e de aproveitar as potencialidades do mundo digital para aprofundar a democracia. Felizmente, o partido socialista e a rede são bastantes conservadores no que interessa: melhorar o ambiente dos negócios, com defesa da responsabilidade fiscal, atenção à política monetária e câmbio flutuante. Não tem nada de novo - mas que é interessante vindo de onde vem, isso é.

Rubens Figueiredo é cientista político, diretor do Cepac - Pesquisa e Comunicação

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