A grande obra de uma farsa

A falta de respeito de Lula é o desmoronamento de um projeto de poder


Por Alberto Goldman

 

O que falta ao ex-presidente Lula é respeito.  Não que não haja respeito por ele.  Isso ele tem  até demais.  Todos respeitamos a sua história, a sua trajetória, a sua inteligência e a sua esperteza, ainda que não nos orgulhe a sua falta de escrúpulos.  O que falta é o respeito dele à história do Brasil, à nossa inteligência, às pessoas em geral.  Falta honestidade intelectual.

Nos últimos dias Lula desandou a falar como se todos nós fôssemos um bando de energúmenos.  Como se não fôssemos capazes de discernir entre a verdade e a mentira.  Como se não fôssemos personagens, desde o mais humilde cidadão até o mais conceituado, da realidade em que vivemos.
Foi na solenidade de comemoração do bolsa-família que o governo organizou sem convidar os membros do governo que o antecedeu ( nem mesmo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ) que iniciaram o programa ao qual ele deu continuidade quando percebeu que o Fome Zero, apresentado em sua campanha eleitoral como o programa que iria resolver o problema da fome e da miséria no Brasil, não se colocava em pé.  Em campanhas anteriores ele criticava os programas assistenciais dizendo que eles colocavam os pobres na dependência dos interesses políticos dos governantes.
Ele disse na solenidade: “Nós herdamos do FHC um país muito inseguro, não tinha nenhuma estabilidade”.  Falou da inflação que havia quando chegou ao governo, sem qualquer referência às ações dos governos anteriores – o plano real, o equilíbrio fiscal, as reformas estruturais – como se não devesse à essas ações a possibilidade de governar com índices inflacionários mais aceitáveis.  Como se não tivesse referendado essas ações que prometeu seguir quando assinou a “Carta ao Povo Brasileiro”, um dos principais documentos da campanha que o levou à sua eleição.
Mais adiante afirmou que foi ele quem começou o programa de inclusão social e de desenvolvimento, e que ele e Dilma foram os que mais investiram em infraestrutura desde o governo Geisel.  
Não foi nem uma coisa nem outra.  Os programas de inclusão social já vêm desde a assinatura da Constituição de 1988, que ele e seu partido se recusaram a votar, e quanto aos investimentos de infraestrutura eles têm mostrado total incompetência na concretização dos projetos.
Dilma Rousseff não fica atrás do seu mentor no quesito falta de respeito à inteligência de todos nós.  No mesmo evento comemorativo, ao rebater os críticos de seu governo, afirmando que o bolsa-família não veio para ser o fim do caminho, mas sim o primeiro degrau, ela se voltou, irritada, para os seus próprios ministros Guido Mantega ( Fazenda ) e Miriam Belchior ( Planejamento ) e disse: “Parem de regatear dinheiro para os pobres!”.
A verdade é que os dois, Lula e Dilma, estão encurralados pelas dificuldades econômicas pelas quais passa o país e pelos medíocres resultados de suas administrações.  Ao procurar dar uma demonstração de superioridade estão, de fato, mostrando a insegurança que sentem diante do paulatino desmoronamento de um projeto político que pretendia ser um promissor projeto de Nação mas que se transformou em um anseio, tão somente, de manutenção do poder.

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