Comfortably numb (confortavelmente anestesiado).


Aos 16' e 27" deste vídeo se inicia a música que eletrizou, alucinou e, ao mesmo tempo, desesperou toda uma geração.
É o diálogo entre um traficante e um drogado. O primeiro começa a conversa com vagas promessas, aquele jeitinho de conquistar a confiança. O drogado responde que não sente mais dor nenhuma, que vê a figura (do traficante) como “a fumaça de um navio que vai desaparecendo no horizonte”.
A música “dói” quando o drogado diz que tinha um sonho na infância, uma sensação de subir feito balões. Mas nunca conseguia alcançar. Com a droga a imagem volta mas desaparece. Anestesia, deixa sem vontade nenhuma de agir.

Mas o que essa música fez vai além da letra. Gilmour transformou em acordes o desespero, o sonho perdido, a dor aguda, o sentimento de perda de vida, de agulhada que vai entrando pelo corpo conforme os acordes avançam. Ouça até o final e acompanhe como o “crescendo” da guitarra vai como que dilacerando, tornando amargo, doloroso o sentimento de existir. Um raro achado para dizer mais do que palavras, mais do que lamentar, mais do que pregar uma moral. Arte para mostrar o sofrimento. Nada de novo, mas como dói.

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