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Erro de ministério limita o uso da energia do Madeira

Só para lembrar:
12/08/2013 às 00h00

Erro de ministério limita o uso da energia do Madeira

Um grave erro de planejamento do Ministério de Minas e Energia impedirá que parte da energia produzida até o fim do ano pelas duas usinas do rio Madeira, em Rondônia, seja escoada para o restante do país. Se toda a geração de Santo Antônio e de Jirau for transmitida para o sistema interligado nacional, há risco de queima das turbinas instaladas, o que causaria prejuízos gigantescos. Juntos, os dois empreendimentos estão orçados em quase R$ 30 bilhões. A restrição só será resolvida em dezembro, com a instalação de equipamentos que estavam fora do projeto original das usinas. Enquanto isso, a alternativa é limitar o escoamento a um nível muito inferior ao previsto.

Os sistemas de supervisão e controle dos equipamentos das usinas e do complexo de transmissão não são compatíveis. A falha foi detectada no fim de 2010, mas só em junho deste ano ela apareceu em um documento público: a ata do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico. Na reunião, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) registra "preocupação" com carta recebida do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) na qual o problema é relatado. Até então, a falha vinha sendo tratada por meio de ofícios, sem divulgação pública, provocando constrangimento entre as empresas envolvidas e órgãos do governo em torno da dimensão do erro identificado.


Dos 3.030 MW de potência instalada até dezembro nas duas usinas, conforme a previsão original das empresas, apenas 1.100 MW poderão ser efetivamente destinados ao abastecimento. Caso haja tentativas de escoar mais energia do que esse limite operacional, as turbinas das hidrelétricas correm o risco de queimar. São essas restrições, não previstas no planejamento, que pegaram as empresas de surpresa e levarão ao desperdício de parte da energia.

Esse desperdício só não será tão grande por causa de uma circunstância que também não pode ser motivo de comemoração: houve atraso nas obras de geração. As duas usinas continuam em obras, com suas turbinas entrando gradualmente em operação. Com esse atraso, as hidrelétricas do Madeira deverão estar com pouco mais de 2 mil MW de potência instalada até o fim do ano. E as turbinas já em funcionamento não poderão ser acionadas a plena carga, porque dezembro ainda não é o pico do período chuvoso, atenuando os efeitos do erro de planejamento do governo.

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