Ninfomaníaca - Ou como viver com um corpo querendo ter mil corpos e nenhum pudor


Um Lars Von Trier com apenas 3 horas de duração. O filme está em cartaz em São Paulo. Saí do cinema meio lento, parando na primeira mesa para um chop ou um suco de batata com mel... Tanto faz. O filme começa e a tela fica em branco. Os mais apressados espectadores já começam a sacar o celular... Mas é um Von Trier, eles sempre esquecem disso. A tela está sem nada, mas há o som de algo que parece chuva, que parece pastoso, que parece deslizamento, primo-irmão do torpor...

E a história começa. Nela você verá Reich, Bach, Fibonacci, Freud, Jung. Nada ocorre ali por acaso, da volúpia sexual da moça que não provoca tesão mesmo nua, comida e recomida conforme os seu próprios caprichos pedem fornicação. E verá o sentido oculto de tudo, ganhando uma narração e perdendo a relação entre o comando do desejo e a frustração previsível da sua concretização.

E você verá a fragilidade dos homens, de todos os homens, mesmo daqueles que mostram seu pinto numa corrida louca por ser reconhecido como o grande herói que acredita mesmo ser o primeiro a fazer uma mulher gozar.

A história é toda contada do ponto de vista da mulher, da mulher desejante, da mulher dominante, da mulher enredada por outra mulher, sem nenhum homossexualismo autodesculpante. Aliás, essa é a charada: nada a respeito de gays e lésbicas. Lars Von Trier tem a cabeça no lugar ainda que seja muito criticado. Nada em seu filme está fora do lugar, está tudo perfeitamente em lugar nenhum.


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