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PREPAREM-SE PARA O QUE VEM POR AÍ


UCRÂNIA: A NOTÍCIA É ÓTIMA, MAS PREPAREM-SE PARA O QUE VEM POR AÍ

Notícias de hoje de manhã dão conta de que Viktor Yanukovytch, o títere ucraniano de Moscou, renunciou. É... foi uma revolução mesmo na Ucrânia, mas por enquanto apenas no sentido político de troca dos ocupantes do governo (espera-se, pois não se sabe bem como ficará a coisa). Não sei se eles vão mexer no padrão de relação Estado-sociedade. Acho que não. 

E não estão resolvidos vários problemas ligados ao que é oposição lá (tem grupos de todo tipo, da chamada ultra-direita à anarquistas e esses grupos não são responsáveis pelo que aconteceu, mas agora serão responsáveis pela institucionalização do que aconteceu). 

O clima não é de todo agradável. Há um profundo ressentimento social com o império soviético (desde o genocídio conhecido como Holodomor - a palavra significa "matar pela fome" - que, em 1932-1933, numa ação deliberada de extermínio dirigida pelo Partido Comunista, do tipo "limpeza-étnica", levou a mais de 3 milhões de mortes). E há vários ressentimentos derivados, inclusive dentro da Ucrânia, entre as regiões, na parte do país que fala russo...

Ainda que o sentido geral das movimentações de agora tenha sido inequivocamente democrático: contra o governo títere de Yakunovych, manipulado por Moscou (a autocracia Russa comandada pela FSB, ex-KGB), os desdobramentos podem não ser, e podem não guardar nenhuma relação com a dinâmica social que se instalou a partir de 8 de dezembro de 2013 (quando houve o grande swarming com 1 milhão de pessoas na Praça Maidan, num país de 40 milhões: fenômeno que não foi produzido pela dinâmica dos grupos políticos organizados). Eis o ponto! Essa dinâmica social inédita não pode se expressar adequadamente com as mediações dos grupos organizados que já existiam lá ou que se formaram na esteira das lutas de rua.

Estão entendendo como é complicado? Além disso, a Rússia não desistirá da Ucrânia: preparem-se para o que vem por aí. O projeto do governo de assassinos da FSB (ex-KGB), comandado ostensivamente por Vladimir Putin, é o de reeditar uma espécie de união soviética para voltar à guerra-fria. O objetivo é polarizar novamente com o ocidente e manter um estado de guerra permanente para alimentar um regime autocrático (um novo império do Leste). A Ucrânia é uma peça necessária nesse arranjo projetado pelos déspotas russos e tanto a União Européia (que não quer perder o financiamento do gás), quando os USA (que não quer se meter em problemas que não pode resolver) não têm meios eficazes de se contrapor a essa ambição expansionista do neo-sovietismo da comunidade de informações russa (e a China não se manifestará enquanto não houver ameaça geopolítica ou econômica à sua linha de expansão - que é bem diferente da russa: ela está comprando dívidas de países e, inclusive, comprando países mesmo, sobretudo na África, na Ásia e agora, ao que tudo indica, na América Latina). Por Augusto de Franco

Notícias de hoje de manhã dão conta de que Viktor Yanukovytch, o títere ucraniano de Moscou, renunciou. É... foi uma revolução mesmo na Ucrânia, mas por enquanto apenas no sentido político de troca dos ocupantes do governo (espera-se, pois não se sabe bem como ficará a coisa). Não sei se eles vão mexer no padrão de relação Estado-sociedade. Acho que não.

E não estão resolvidos vários problemas ligados ao que é oposição lá (tem grupos de todo tipo, da chamada ultra-direita à anarquistas e esses grupos não são responsáveis pelo que aconteceu, mas agora serão responsáveis pela institucionalização do que aconteceu).

O clima não é de todo agradável. Há um profundo ressentimento social com o império soviético (desde o genocídio conhecido como Holodomor - a palavra significa "matar pela fome" - que, em 1932-1933, numa ação deliberada de extermínio dirigida pelo Partido Comunista, do tipo "limpeza-étnica", levou a mais de 3 milhões de mortes). E há vários ressentimentos derivados, inclusive dentro da Ucrânia, entre as regiões, na parte do país que fala russo...

Ainda que o sentido geral das movimentações de agora tenha sido inequivocamente democrático: contra o governo títere de Yakunovych, manipulado por Moscou (a autocracia Russa comandada pela FSB, ex-KGB), os desdobramentos podem não ser, e podem não guardar nenhuma relação com a dinâmica social que se instalou a partir de 8 de dezembro de 2013 (quando houve o grande swarming com 1 milhão de pessoas na Praça Maidan, num país de 40 milhões: fenômeno que não foi produzido pela dinâmica dos grupos políticos organizados). Eis o ponto! Essa dinâmica social inédita não pode se expressar adequadamente com as mediações dos grupos organizados que já existiam lá ou que se formaram na esteira das lutas de rua.

Estão entendendo como é complicado? Além disso, a Rússia não desistirá da Ucrânia: preparem-se para o que vem por aí. O projeto do governo de assassinos da FSB (ex-KGB), comandado ostensivamente por Vladimir Putin, é o de reeditar uma espécie de união soviética para voltar à guerra-fria. O objetivo é polarizar novamente com o ocidente e manter um estado de guerra permanente para alimentar um regime autocrático (um novo império do Leste). A Ucrânia é uma peça necessária nesse arranjo projetado pelos déspotas russos e tanto a União Européia (que não quer perder o financiamento do gás), quando os USA (que não quer se meter em problemas que não pode resolver) não têm meios eficazes de se contrapor a essa ambição expansionista do neo-sovietismo da comunidade de informações russa (e a China não se manifestará enquanto não houver ameaça geopolítica ou econômica à sua linha de expansão - que é bem diferente da russa: ela está comprando dívidas de países e, inclusive, comprando países mesmo, sobretudo na África, na Ásia e agora, ao que tudo indica, na América Latina).

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