Um general para a Presidência da República?



Os brasileiros vão ter de decidir, uma hora dessas, se estamos mesmo a fim de experimentar um modelo de governo que, vindo do passado, represente algo novo, não exatamente moderno.

Seria lindo que os brasileiros pudessem se orgulhar gostosamente do país em que vivem. Mas isso, já disse o Marcola, é ilusão.

E o simples fato de citar um homem trancafiado e reconhecidamente líder da bandidagem já fala por si.

A Presidência da República deixou de ser um exemplo para o país, eis a dura verdade. E o PT está fazendo de tudo para que o Poder Judiciário também tome o caminho da vala, do esgoto, da quebrada nojenta onde vidas alquebradas alimentam a necessidade dos ratos.

Portanto, sonhar com um poder real na mão de um Poder oficial é fácil, necessário e perigoso. Até porque projetar num general a imagem ideal de presidente é um ato falho, psicanalítico, que reproduz indiretamente o tamanho da nossa fraqueza pessoal diante do todo.

O PT acalenta esse sonho também. Quer mais poder, cada vez mais. E vai tentar convencer o povo de que um regime parecido com o regime militar é precisamente aquilo que o país pede.

Mas por que não, um general comprometido com o reerguimento das Forças Armadas, com o estado de direito, com a guarda das instituições?

Não será fácil. Esse general terá de lutar contra outros generais, políticos, empresários que também se associaram ao PT e ao mundo do crime. Conseguirá isso sem transformar o país num misto de Cuba com Venezuela?

Não convém flertar com militares no poder. Como escreveu o general Hugo Abreu, no livro O outro lado do Poder, colocar os militares no poder é fácil, difícil é tirá-los de lá.

O primeiro parágrafo deveria motivar o querido leitor a ler a obra toda, vejam: “Por que escrevi este livro? Ele visa a apresentar um depoimento de minha participação no governo Geisel, sobre o que fiz e o que vi durante mais de três anos em que estive do outro lado do poder. Não se trata de um estudo do comportamento do governo, mas apenas um depoimento... Embora ainda contaminado pelo calor dos acontecimentos recentes, meu depoimento procura traduzir honestamente o que vi e o que pude sentir”.

Um livro bem-escrito, bem-documentado, eu diria até emocionante, pois ali está um general escrevendo com amor ao Brasil. Daí a pergunta, um general na Presidência da República, pela via eleitoral, podendo unir forças e desbaratar quadrilheiros que fazem vaquinha para comprar indulto e humilhar um instituição? Por que não?


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