Aécio e Campos precisam do coração de São Paulo

Por Lucas Tchermenko

Começou pelo nordeste o apelo regionalista com vistas à Presidência da República. Eduardo Campos disse em entrevista de rádio: "Quem colocou a presidente que está aí foram os nordestinos. Ela ganhou por 11 milhões de votos, 10,5 milhões vieram do Nordeste. Agora o Nordeste pode colocar um que nasceu aqui, que conhece os Estados, que conhece o povo, conhece a realidade não de ouvir dizer, mas de viver, de vivenciar os costumes, as necessidades". É verdade mas há reparos importantes nesse quesito.

Quantos milhões de nordestinos vivem em São Paulo? Há estudos que mostram haver quase um nordeste inteiro no Estado de São Paulo. É duvidoso apostar numa frente nordestina pelo voto unificado. Mas o discurso pega bem, trafega entre o politicamente correto e o politicamente necessário.

Já o senador Aécio Neves tem mantido um tom mais voltado para o nacional, seja qual for a região que o escuta. É menos apelativo, neste momento da campanha política que o PT antecipou sem dizer, mas gastando muito dinheiro do contribuinte.

Quem vive em São Paulo, capital, acaba contaminado salutarmente por uma mudança de hábitos, às vezes revisando a própria origem e dela procurando manter considerável distância. É compreensível.

Se 10 milhões de votos decidirem a parada, de novo, é possível afirmar que será do coração que bate em São Paulo a fatia decisiva na próxima eleição, venha esse coração do nordeste, do sudeste, do centro-oeste, do norte ou do leste oceânico.

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