Que maravilha ler nas páginas de um ecoterrorista precisamente aquilo que o desmente

Por Lucas Tchermenko


A tristeza e a alegria num discurso político

Ouvi, em retrospecto, o discurso da ex-senadora Marina Silva, proferido na cidade de Campos do Jordão há menos de uma semana, por ocasião do Congresso Estadual de Municípios, em sua 58ª edição, brilhantemente organizado que foi pela Associação Paulista de Municípios. Ela terminou sua fala sendo aplaudida de pé por um público feito por vereadores, prefeitos, secretários e deputados estaduais, ou seja, gente que conhece a política e o povo.

E acabei com o meu coração apertado entre a admiração, a tristeza e a decepção.

Quem lê minhas irresponsáveis linhas sabe que sou crítico satânico de Marina Silva, mas não às raias da desgraça satânica de Salman Rushdie, condenado a morte pelo que escreveu.

Venho criticando o comportamento político de Marina Silva, mas respeito nela o direito ao estrelato político, até porque expressa o desejo de melhores dias de boa fatia do povo brasileiro.

Marina Silva é uma mulher doce, amável, frágil, na verdade fragilíssima, sofrida, que sabe articular muito bem seu discurso (ou seja, não é burra). Até aí, palmas para ela que ela merece.

Mas o discurso de Marina Silva está recheado de enganos conceituais graves, gravíssimos.

Como criticá-la reconhecendo sua humanidade sofrida mas vendo nela o fruto de um país que nunca zelou direito pela educação, em nível profundo, do seu povo?

Vou tomar apenas dois tópicos para não cansar o leitor.

Primeiro: ela traçou um panorama da história da humanidade para falar do conceito de sustentabilidade. Nesse quesito disse coisas aterradoramente equívocas, enganosas, mortalmente defeituosas.

Para resumir: ela disse que as civilizações que nos precederam entraram em colapso por não ter desenvolvido o conceito de sustentabilidade. Pura bobagem. Atenas era do tamanho da cidade de Jundiaí... O resultado histórico é resultado de ações que alteraram o projeto original de todo e qualquer povo. Somos os herdeiros de gregos e de romanos.

Segundo: ela citou o IPCC, o já famoso Painel Intergovernamental da ONU de Mudanças Climáticas. Defendeu como verdade os “achados” daquilo que chamou um “grupo de milhares de cientistas”. Como eu disse, ela não é burra. Esse painel serve a ela como plataforma política e nada mais.

Por que isso? Bem, ela não disse que um grupo realmente grande de cientistas citados pelo painel veio a público para negar que tenha assinado o documento geral citado por Marina Silva. Esses cientistas perceberam manipulação política no que estavam fazendo e caíram fora. O IPCC é um ninho de gatos como a Ucrânia, de gatos de espécies antagônicas.

Alguns dos gatos do IPPC viram na “crise ambiental” um bom caminho para levantar dinheiro para pesquisas, como ocorreu quando do ápice da Aids. Mero oportunismo. E nesse caso, quanto mais catastrófico o cenário, melhor. Mas alguém precisa dizer que o maior responsável pelas trocas térmicas do planeta terra ocorrem na água profunda dos oceanos.

Alguém precisa dizer a Marina Silva que o planeta terra cheirava uma latrina antes de derrubar, por conta própria, alguns bilhões de árvores. Disso, surgiram os gases de efeito estufa, que protegem a vida humana. Sem esses gases estaríamos todos mortos. Quem quiser saber mais que leia o livro A Gaia Ciência, de James Lovelock, aliás um adepto das teses catastróficas, note-se.

Que maravilha poder ler nas páginas de um ecoterrorista precisamente aquilo que o desmente.



PS:
Pequeno complemento tirado da wikipedia: "Em janeiro de 2006, Lovelock afirmou ao jornal "The Independent" que "o mundo já ultrapassou o ponto-de-não retorno quanto às mudanças climáticas e a civilização como a conhecemos dificilmente irá sobreviver". Numa entrevista em abril de 2012, Lovelock afirmou que foi "alarmista" sobre o momento da mudança climática, mas não sobre a mudança em si. Ainda acredita que o clima deve aquecer, embora a taxa de mudança não fosse como ele pensava". Tipicamente, um ecoterrorista.

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