A origem do Universo

No centro do Sol a temperatura é de 15 milhões de graus
Por Salvatore D'Onofrio

A revista Veja de 19/03, na secção Ciência, com o título “Mais Big do que Bang”, nos informa sobre uma recente descoberta científica acerca da origem do Universo: o que pensávamos ter acontecido há mais de 13 bilhões de anos a.A (antes do Agora) não foi uma “explosão”, mas uma “expansão” de matéria e energia, a partir de um minúsculo núcleo primordial. A distinção entre explosão e expansão faz toda a diferença, pois nos ajuda a entender como o Universo se formou e funciona. Pesquisadores do Centro de Astrofísica de Harvard conseguiram provas de que o que deu origem às atuais formas microcósmicas e macrocósmicas (poeira de estrelas, bactérias da terra, planetas, constelações) não foi um processo explosivo e instantâneo, sem ordem alguma, mas radiações de ondas que se espalharam e continuam aumentando o universo, mantendo relações entre si, em obediência à lei da gravidade.

A existência de ondas gravitacionais já vinha sendo preconizada pelo cientista Albert Einstein em artigos publicados nos “Anais de Física”, a partir de 1905. O genial astrofísico alemão, de etnia judaica e naturalizado norte-americano, contesta o princípio da mecânica tradicional, fundamentada sobre o determinismo (o repouso absoluto), ao demonstrar que tudo é movimento. Pela teoria da relatividade, Einstein encontra equivalências entre massa e energia, tempo e espaço. O que percebemos como vazio, na verdade, é apenas um falso vácuo, um campo de energia escura (porque invisível), uma força que mantém atraído entre si todos os corpos terrestres e celestes, pelo vertiginoso movimento gravitacional. É a moderna mecânica quântica que, estudando as partículas subatômicas, vem substituindo o sistema ptolemaico do antigo Egito, que colocava a Terra fixa no centro do universo, e o heliocentrismo de Newton, Copérnico e Galileu, na Renascença européia, que descobriram a rotação do nosso planeta ao redor de si próprio e do Sol.

Por falta de conhecimento ou de reflexão, não percebemos que andamos de cabeça para baixo e os oceanos não derramam suas águas, apesar de rodar vertiginosamente. A maioria do povo ainda acredita no mito da criação do mundo em sete dias, tendo Jeová, o deus dos judeus, feito a Luz no primeiro dia e o Sol, no quarto dia. Seria lícito perguntar a Moisés ou a outros profetas da antiguidade como é possível existir luz sem o sol! Estas e outras contradições às descobertas científicas, à lógica mental, aos fatos históricos, ao bom senso, são atribuídas pelos crentes a erros humanos pelo atraso civilizacional e não às divindades. Mas, se é assim, por que ainda considerar o Velho Testamento dos cristãos ou o Corão dos muçulmanos, como obras sagradas, escritas sob inspiração divina?

O citado cientista Einstein, pressionado por rabinos a se pronunciar sobre sua religiosidade, afirmou que, perante as maravilhas do microcosmo e do macrocosmo, podia até admitir a existência de um arquiteto do universo, mas que este ente sobrenatural se preocupasse com o mundo existente, isso seria impensável. De fato, se Deus é imaginado como o todo poderoso e a suma misericórdia, como explicar terremotos e tsunamis, secas e enchentes, sofrimento e morte, políticos corruptos, injustiça social, a miséria na terra? Ninguém pode negar que ainda existem mistérios no universo. Não sabemos se havia algo antes do Big Bang e até quando continuará a expansão das galáxias. O tempo teve um princípio e terá um fim ou tudo é eterno, existindo apenas transformações? Como saber, se não conseguimos sequer descobrir o paradeiro de um avião de várias toneladas, perdido no espaço, levando no seu bojo para a morte centenas de seres humanos?



Salvatore D' Onofrio
Dr. pela USP e Professor Titular pela UNESP
Autor do Dicionário de Cultura Básica (Publit)
Literatura Ocidental e Forma e Sentido do Texto Literário (Ática)
Pensar é preciso e Pesquisando (Editorama)

www.salvatoredonofrio.com.br
http://pt.wikisource.org/wiki/Autor:Salvatore_D%E2%80%99_Onofrio

Comentários

Assistam o documentário Trough the Wormhole com Morgan Freeman. Ele continua este assunto.
Lucas Echimenco disse…
Boa dica, Gravillof. Aproveito e recomendo a leitura A morte do sol, de John Gribbin.

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