Sete medidas para o Brasil melhorar

Por Salvatore D'Onofrio

Várias vezes estive na Nova Zelândia, o conjunto de duas ilhas da Oceania colonizadas por britânicos, depois que minha irmã casara com um inglês e foi morar em Auckland. Nunca cansei de admirar, além das belezas naturais, seu alto grau de civilidade pela limpeza pública, obediência aos sinais de trânsito, respeito ao próximo, inclusive aos nativos que, além de não serem discriminados, ainda gozam de várias regalias. Por isso, não estranhei a reportagem da Veja (2/4) sobre a Nova Zelândia ocupar o primeiro lugar na lista dos países menos corruptos e mais honestos, com o melhor IHD, índice de desenvolvimento humano. O ranking da ONG Transparência Internacional apresenta este país, junto com Austrália, Canadá, Dinamarca, Finlândia e outros povos de etnia anglo-saxônica ou escandinava, no topo das nações mais civilizadas por não tolerar corrupção e impunidade. O que irmana esses países é o fato de que não foram e não são governados por políticos famosos, tipo Fidel Castro, Hugo Chávez, Lula, Putin ou Obama. Isso prova que o progresso de um país não se deve a líderes vistos como heróis salvadores da pátria, mas ao povo que trabalha e exige respeito à cidadania pelo uso do dinheiro dos impostos apenas para promover o bem social.

A partir das pesquisas realizadas, a reportagem da Veja aponta sete lições que o Brasil poderia aprender para a prática de uma verdadeira democracia: 1) Acabar com as indicações políticas para cargos no governo; 2) Estabelecer metas para os funcionários de segundo escalão; 3) Tirar dos parlamentares o poder de decidir o próprio salário; 4) Abolir as emendas parlamentares; 5) Reduzir a burocracia; 6) Investigar e punir até os menores desvios éticos na polícia; 7) Dar incentivos a construtoras eficientes – e punir severamente o sobrepreço. Evidentemente, é muita ingenuidade pensar que estas e outras medidas saneadoras, como redução do número de ministérios e de partidos, moralização da campanha eleitoral ou proibição da reeleição, um dia serão tomadas pelos atuais políticos, preocupados mais com a permanência no poder do que em promover reformas estruturais em longo prazo, com vistas ao bem-estar da coletividade. A solução está no dever das pessoas sensatas fazer entender à massa popular que deve usar a força do seu voto para exigir justiça social e não caridade pública. Precisamos renovar os quadros políticos, não reconduzindo no poder governantes displicentes ou coniventes com a corrupção. O abuso de poder e a apropriação indevida do erário público são os principais fatores que acabam provocando a intervenção de um regime de força. O perigo é real e imediato, pois há muita gente violenta nas ruas.



Salvatore D' Onofrio
Dr. pela USP e Professor Titular pela UNESP
Autor do Dicionário de Cultura Básica (Publit)
Literatura Ocidental e Forma e Sentido do Texto Literário (Ática)
Pensar é preciso e Pesquisando (Editorama)
www.salvatoredonofrio.com.br
http://pt.wikisource.org/wiki/Autor:Salvatore_D%E2%80%99_Onofrio

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