Social é o cacete!

Por Augusto de Franco
 
Augusto Franco, não vale dizer que ele é inexperiente

Sobre o controle partidário-estatal da mídia

Para a fórmula de conquista de hegemonia funcionar tem que haver, necessariamente, controle partidário-estatal da mídia, eufemisticamente chamado de "controle social". Ora, social é o cacete! Se eu monto um conselho ou comitê paritário controlador ou agência estatal reguladora aparelhados por militantes, que vão transformar aquelas instâncias em correias de transmissão do partido, isso é social aonde? O que esses caras entendem por social?


Sabemos responder: eles entendem que é o campo de conquista da hegemonia, onde vão atuar para pescar em aquário, para travar a guerra política e ideológica a favor da sua causa. É isso o que fazem em qualquer lugar: lutar por maioria. É só isso que sabem fazer...

Eles não querem que as pessoas saibam o que estão fazendo: é simples assim! Se não fosse pelo que chamam de "mídia golpista" não estaríamos sabendo de centenas de crimes que cometeram contra a democracia. Não saberíamos dessa avalanche de crimes comuns mesmo: casos escabrosos de formação de quadrilha, evasão de divisas, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, peculato... a lista é infindável e como vivemos em um país sem oposição, tudo isso foi apurado e noticiado pela mídia.

Para ficar só nos mega escândalos, não saberíamos do caso Waldomiro-Dirceu, do mensalão, da quebra do sigilo do caseiro Francenildo, da produção do falso dossiê contra Serra, urdida por homens da cozinha do presidente, da investigação, sem nenhuma denúncia ou fato determinado, dos gastos oficiais de Ruth Cardoso para produzir um novo dossiê com o qual o governo pretendia chantagear a oposição ou impedir que ela requeresse legalmente a investigação das - aqui, sim, fartas - evidências de uso criminoso dos cartões corporativos da Presidência por familiares ou auxiliares diretos de Lula... e - pulando centenas de outros crimes - das associações com vários doleiros para lavar dinheiro e assaltar mesmo os cofres públicos e agora da Petrobrás.

E como ficaríamos sabendo das repercussões do depoimento de Duda Mendonça na CPI do Mensalão, quando confessou ter recebido numa empresa no exterior o pagamento da campanha eleitoral de Lula em 2002?

E como ficaríamos sabendo das muitas vezes em que o PT tentou censurar a imprensa, seja por meio do Conselho Federal de Jornalismo, seja por intermédio no Plano Nacional de Direitos Humanos?

E como ficaríamos sabendo dos contratos de publicidade do governo e das estatais com militantes disfarçados de jornalistas, que usam o dinheiro público para atacar a imprensa e aqueles que o governo considera adversários nos governos dos estados, no Legislativo e no Judiciário?

E como ficaríamos sabendo do sistemático apoio que os petistas empenham a ditaduras mundo afora (de Cuba, passando por Venezuela, até o Sudão)? Como saberíamos que Lula comparou presos de consciência em Cuba a presos comuns no Brasil? Como saberíamos que Dilma Rousseff comparou os dissidentes da ilha a terroristas de Guantánamo?

Num regime chavista de imprensa controlada, não saberíamos de nada disso. Que tal?

A grande mídia está nas mãos de algumas família ricas? Está sim, assim como estão todas as grandes empresas (inclusive aquelas aliadas do governo ou por ele compradas com favores, benesses, todo tipo de proteção contra o mercado e com dinheiro barato do BNDES). Mas por que eles não denunciam as famílias ricas que controlam os grandes bancos, as grandes empreiteiras, as grandes siderúrgicas, as grandes metalúrgicas que financiam suas campanhas? Heim? Ah! Aí pode. Oligarquias, desde que sejam aliadas, também podem. Pode Sarney, pode Collor, tudo a favor pode. Só não pode cortar o barato do banditismo de Estado. Êpa! Aí não pode. Temos que controlar a mídia! Mas que bando de filhos... de putin!

Eles falam em democratização da comunicação, mas é curioso porque não têm a menor noção do que seja democratização. E também porque não querem democratizar de fato, ou seja, publicizar, permitir que surjam miríades de meios de comunicação (é o único caminho para democratizar). Não, o que eles querem é proibir que os (poucos) meios de comunicação que existem atualmente possam operar com independência dos governos que controlam. Para proibir tem que estatizar (não há outro caminho). Como estatizar pega mal, então eles falam em controle social. Mas o que eles querem é apenas o controle (a palavra já é horrível) partidário-estatal. Ora...

Sem controle partidário-estatal da mídia, o ditador Maduro não teria conseguido esconder do mundo (com algum sucesso e com a ajuda do governo brasileiro e do seu partido) o que está acontecendo na Venezuela. Só ficamos sabendo graças às mídias sociais (sobretudo ao Twitter).

Eles - os próceres da esquerda autocrática - não vão desistir desse ponto. Eles vão tentar, sem parar, emplacar o controle partidário-estatal da chamada grande mídia e, em seguida, vão querer controlar também as mídias sociais e a Internet, como estão fazendo os autocratas em todos os lugares do mundo: de Erdogan na Turquia, passando por Putin na Rússia e pelos quase 60 ditadores que ainda remanescem no século 21, inclusive os irmãos Castro.

O Brasil não é uma ditadura. Mas se dependesse do partido do governo seria. Não vamos nos enganar: esses caras não estão no campo da democracia. Da democracia eles querem apenas o processo eleitoral: a nova via que descobriram para chegar ao poder, com o aval das urnas, para não governar democraticamente.

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