A importância da imprensa



A legenda da foto está errada. Empresas são parceiras 

O livro Os arquivos de Snodewn, escrito pelo jornalista britânico Luke Harding (versão em português lançada em fevereiro último) é uma prova de que muito mais do que os jornais, os livros hoje são a maior fonte de informação de quem consegue sair das redes sociais, onde se joga montanhas de lixo no ar, e procura ir além da superficialidade facebookiana.

Se Lula lesse ou valorizasse livros certamente passaria a dizer que o maior inimigo do PT são os livros e não os jornais. O livro de Harding é, em verdade, uma boa reportagem de 277 páginas. Colocou a nu a forma como os governos norte-americano e britânico simplesmente resolveram passar por cima de todo e qualquer direito individual, dando-se até o direito de mandar destruir os computadores do jornal londrino The Guardian. "Uma simples palavra digitada no Google ou um simples celular pode virar um gravador e ser rastreado em qualquer lugar do planeta".

O livro está, obviamente, recomendado à leitura de quem deseja debater no Facebook questões como liberdade de expressão e regime democrático. Custa a bagatela de R$ 39,50. Mas por favor não digam nada para o Lula, ele vai querer convencer vocês de que falou com Deus e blá blá blá blá blá blá.

Mais: o livro revela que as empresas Facebook, Google, Verizon e muitas outras são parceiras no processo. Revela também que o governo dos Estados Unidos aceitou sugestão das empresas para que as obrigasse a ceder dados. Vejam bem: partiu das empresas a ideia de entregar os dados. Não há santos movendo os cordeis nas plataformas que sustentam as redes sociais.

O livro mostra com fatos que a administração Barack Obama não respeita leis e os direitos individuais. Simplesmente deu sequência a George W. Bush com mais silêncio e, talvez, um pouco mais de refinamento.

Resulta da leitura do livro a importância da imprensa livre, capitalista, sim senhor, pois procurando manter suas fontes, sua prática de independência e seu serviço crítico, o jornal é sobretudo um defensor do direito público, sendo portanto o resultado do que o leitor faz dele. Num país como os Estados Unidos, o cidadão informado não abre mão de saber em detalhes tudo o que o governo faz com seu dinheiro.

No Brasil precisamos construir o mesmo direito.

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