A imagem, a propagação da imagem e a ilusão sobre o voto


Está rodando no Facebook a ironia resultante de um palpite e a tentativa de sua desconstrução. O economista Rodrigo Constantino escreveu que o símbolo da copa 2014 seria uma propaganda subliminar do partido que manda no governo da subgerenta da República.

A ironia da situação pode ser explicada pela semiótica, uma ciência cujas origens residem no século 17. Constantino fez um recorte de um aspecto real no símbolo da Copa. Criou assim a imagem da imagem, um elemento significante extraído de um signo, o de que o amarelo faz um L, compondo uma mensagem com o 2014 em vermelho. E está correto. Esse signo existe, está lá produzindo significantes, nascedouro dos significados.

A partir do momento em que se tornou uma crítica, o elemento que antes não significava nada passou a significar algo, e, sim, passa a ter uma função, a de ser propagada conforme a percepção consciente dos seus utentes (usuários).

E o Facebook é uma assembleia de utentes. Você que está aí batucando no seu teclado é um utente. E cada palavra que você digita pode, ou não, produzir significações. Constantino fez isso e não pode ser criticado apenas por ter feito uma leitura semiótica do símbolo trazido como parte de uma mensagem real. 

Mas o que Constantino esqueceu, falando em termos de propagação de ideias políticas, é que ao recortar seu achado como crítica deu ao inimigo munição. Sem perceber, caiu numa armadilha que a semiótica conhece bem.  E muita gente que defende a candidatura de Aécio Neves está fazendo isso sem perceber.

Toda vez que você posta algo contra a subgerente da República e ao lado insere uma foto dela, feia ou bonita, está criando um signo favorável a ela, pois a imagem vai tocar primeiro o coração de quem vê. O texto é algo que vem depois, dependendo do grau de elaboração consciente de quem lê.

A mesma coisa se aplica ao Mandrake da Silva. Uma foto desse senhor, organizador de greves e de patacoadas, fala mais do que um texto de mil linhas. Se a foto for bonita então, esquece, a mensagem que falará mais alto será a da imagem. 

Por que acham que eu escrevo Subgerenta e Mandrake?

A imagem tem a força de desmontar um mau argumento. A leitura é um ato, um hábito aprendido. A capacidade de ver é inata, (na verdade depende de treino e ambientação mas isso é outra história). Quer checar isso? Pegue um livro e sente-se em frente à televisão.

Ao escrever suas críticas tanto ao PT quanto aos partidos amestrados como PCdoB, PCB, PV e nanicos vários, escreva na ordem direta, evitando interpolações, indo direto ao cerne do que você quer dizer. Isso quer dizer, em geral, colocar o sujeito, depois o verbo e por fim o complemento. Por que acham que o jornalismo parece ser escrito por Deus?






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