Um texto de um adido militar para um presidente


"Ele é um dos mais inteligentes homens que eu tenho conhecido e tem uma integridade de caráter raras vezes encontrada. É um católico de fé religiosa profunda e genuína, indo à missa todos os domingos pela manhã e às vezes durante os dias da semana. Tem um mordente sarcasmo, que lhe tem valido alguns inimigos. É um intelectual brilhante e não tolera a mediocridade. Tem um sentimento de dignidade que mantém à distância as intimidades indevidas...

E prossegue a carta (é uma carta)
"Ele é um tanto formal e reservado com aqueles que não conhece bem e não faz amigos facilmente. Quando provocado é capaz de revides contundentes, que os atingidos não esquecem prontamente. Não é suscetível a lisonjas e encara com certas reservas os que por esse modo tentam conquistá-lo. As referências ao nome de sua mulher quase trazem lágrimas aos seus olhos.

E finaliza:

"Ele sempre se revelou um liberal progressista e acredita que uma considerável parte do governo deve ser consagrada ao planejamento econômico, mais ainda assim entende que a iniciativa privada é essencial ao desenvolvimento do país. É um patriota e coloca os interesses do Brasil acima de tudo, mas não é um nacionalista tacanho ou xenófobo"

Carta do coronel Wernon Walters, adido militar no Brasil, ao presidente dos Estados Unidos relatando suas impressões sobre o general Castello Branco que acabara de assumir a Presidência da República. Abril de 1964, no livro "A ditadura militar e os golpes dentro do golpe", de Carlos Chagas, página 121. O livro relata que os militares desejavam, primeiro, "descomunizar" o governo e queriam manter-se no poder apenas até as eleições de 1965. Então, vieram os golpes dentro do golpe.

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