A crônica amarga de Carlos Chagas num dia amargo de morte


O jornalista Carlos Chagas, autor de vários e luminares artigos desde os tempos das coberturas políticas sobre Getúlio Vargas, escreveu um artigo duro e meio sem esperanças. Já no título perguntava: Vale a pena votar nesses picaretas?

Texto amargo de morte pois saiu das mãos do autor precisamente quando Eduardo Campos estava a caminho da morte. Vinicius de Morais, o imorredouro poeta brasileiro, "poeta e diplomata", teria preferido escrever: "Sua benção que eu vou partir, eu vou ter de dizer adeus". 

Nas linhas de Chagas, há um como que esquecimento. Ao falar dos políticos, que ele conhece tão bem, esqueceu-se de falar do povo, que conforma a classe política.

É muito fácil achincalhar os políticos, como o PT cansou de fazer quando ainda era um aparelho sindical. E mesmo nessa condição o PT foi útil ao Brasil. Foi sim. 

Mas deixou de sê-lo para se transformar precisamente naquilo que Carlos Chagas observa no horizonte político, de a e b até z.

Como isso ocorre? Do nada? Passamos tanto tempo falando de povo e esquecemos que a cada eleição surge uma carrada de novos candidatos a vereador, com o mesmo esquema mental na cabeça, as mesmas ideias batidas de dar dó, o mesmo horizonte que dá medo, o de enriquecer e mudar de vida, eternizando-se como político.

Há bons políticos sim, na realidade brasileira. Assim como há aqueles que se travestiram de político para escapar da Justiça, para esconder crimes de morte e de roubo. 

De onde vieram eles, do nada?

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Levantar a ponta do véu da saúde mostra que a noiva está sem calcinha

O complexo de Édipo na política brasileira

O que o PSDB precisa fazer para ser PSDB?