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A moralização que cheira a cadáver insepulto

Por Lucas Tchermenko


Os sinais estavam apenas na condição de pouca fumaça um certo tempo atrás. Mas já eram os primeiros passos daquilo que parecia ser uma ação orquestrada, com requintes doutíssimos.

Havia como que um acordo de gente colegiada à espera de ações mais agudas por parte de atores políticos, que já se encontravam muito próximos do precipício.

Então, Cunha deu o passo agudo e fez girar a máquina que o observava, com calma e olhar atento, tendo praticamente pronto o documento que doutos senhores gastariam preciosas horas em salamaleques de dissimulação.

Ler sinais do subterrâneo é tarefa difícil. É preciso esperar que certos atos ocorram, que peças aparentemente sem importância comecem a formar um desenho lógico, ainda que pouco óbvio.

Assim, lentamente, um supremo conjunto de doutos começou o movimento que, à esta altura, já pode ser fotografado em estado de conceito.

O conceito começa na constatação de que o Legislativo Federal, em seus dois principais cenários, está quase completamente desmoralizado. 


Se havia ali 300 picaretas, no diagnóstico de um de seus membros anos atrás, tudo indica que os picaretas se reproduziram em escala exponencial.

Essa desmoralização começou a lamber as paredes de um supremo poder, visivelmente tocado pelos interesses do mesmo senhor que picaretas encontrou e, pelo jeito, fabricou em escala ainda maior.

Mas nesse supremo poder as conversas são melífluas, deslizando entre pares que se odeiam mas não a ponto de ignorar que desmoralizado o poder supremo desmoralizados estarão todos eles.

Desse modo, começou mais um movimento de uma onda ainda não muito bem formada.

Doutos carimbados com dísticos partidários perceberam chegada a hora de trocar o uniforme, buscar posições aparentemente de profunda isenção.

E assim, doutos senhores praticamente uniformizaram o discurso crítico, mesma característica do alto clero de um certo partido que há dois anos vem desdobrando a estratégia de ser oposição a si mesmo.

A cada movimento dos que estão à beira do precipício tem correspondido um movimento de descolamento de doutos e supremos senhores.

Faz sentido, eles serão os donos da moral a ser pregada como neutra, coerente, verdadeira e necessária. E, claro, devidamente aplicada num mais do que óbvio julgamento que está por vir.

Com um Congresso desmoralizado por si mesmo, tão mergulhado em transações que o Chico Buarque não tem peito, nem interesse, em cantar, abriu-se o único caminho viável para uma reação que de fora cheira pureza, vista de dentro recende a cadáver insepulto.








































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