Ad captandum vulgus: Para cativar a multidão.


Temer sabe mas fingiu não saber que no presidencialismo, sobretudo brasileiro, o vice é sempre decorativo. Também sabe e não disse que o PMDB nunca foi confiável do ponto de vista do PT, que o aceitou na barcarola para poder chegar ao "puder".

A carta de Temer a Dilma, que se inicia com um eruditismo, uma citação em latim ("Verba volant, scripta manent"; o que é dito passa, o que é escrito permanece), é peça destinada a formatar nele, Temer, a postura de estadista, recurso já usado por vários ex-presidentes, de Getúlio a FHC.

Temer foi esperto. Sabia que a carta seria "vazada". Raposa felpuda, ele conhece as maneiras das raposas assustadas que ocupam palácios.

É uma maneira de dizer que vai ser presidente e que não tem pressa para chegar lá, exatamente o contrário do que parece.

Outras cartas virão. Se Temer quer mesmo consolidar a imagem de estadista precisará manter o figurino ao longo do tempo. O que pode ser até um bom sinal. De incendiários desastrados aliados a aloprados gatunos o país está cheio.

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