Lula, sua alma e o petrolão são fichinha


Em política nada permanece oculto por muito tempo. Mas o jogo de cena sendo o único expediente usado e reusado faz com que, de novo, um coelho metafísico seja tirado da cartola do milagreiro de plantão.

É isso que está por trás da frase que Lizinácio da Silva produziu dias atrás sobre alma honesta.

O próximo passo virá logo, logo, e poderá ser usada fartamente numa campanha de militantes caso Lula acabe atrás das grades. E isso apenas como primeiro passo.

A “boutade” de Lula ao se dizer dono da alma mais honesta é uma colagem de uma estratégia já usada, mas com finalidades menos preocupantes.

“Pode ter havido prefeito tão honesto quanto Maluf, mas mais do que ele, não”. Lembram desta frase? Pois é, frase de Paulo Maluf.

Há outra frase mais ou menos na mesma direção: “O dinheiro que encontrarem em meu nome no exterior - guardem essa fita gravada -, eu dou desde já à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.”

O senhor Lizinácio está preparando um discurso mistificador mas de alto apelo junto aos eleitores mais simples e, no meio destes, aos eleitores que também sofrem influência direta das seitas religiosas, sendo a maior delas a dos evangélicos.

Separar alma do nome é um jogo antigo. Quando você diz alma está querendo dizer que somente um ente superior pode julgar sua alma. E justamente um materialista-socialista, como Lula, vem usar isso…!!!

A segunda parte do jogo é relativamente previsível: como homem, com um nome qualquer, toda pessoa está sujeita aos desafios do mundo, isso quer dizer até nascer na miséria e virar um Pelé. Pelé! Que belo exemplo. Adoram o jogador, odeiam o pai, sobretudo as mulheres que por identificação projetiva se solidarizam com a filha não assumida (assumida mais tarde).

E um dia, quando confrontado com os feitos de sua vida, qualquer cidadão poderá dizer que passou pela lama e saiu limpo.

É precisamente o fato de alma ser um termo abstrato e vago que permite todo tipo de jogo semântico e de uso político. E quem terá paciência para ler milhares de páginas para saber que o conceito de alma resulta do medo humano primevo. Alma e medo são irmãos gêmeos.

Agora imagine esse apelo levado ao extremo e repetido exaustivamente numa campanha eleitoral e com um jargão mais ou menos óbvio, do tipo “somente Deus poderá julgar a alma de Lula”.

E estaremos diante de mais um Padim Ciço. Não em São Paulo ou Rio de Janeiro, mas nos bolsões viciados em bolsa família.

Não custa lembrar que o festejado Padim Ciço era proprietário de terras e fazia política como qualquer político. Mas até hoje é revenciado como milagreiro, principalmente por quem nada sabe sobre ele. A história que ele contou para explicar suas decisões é mais ousada do que a de Lula. Ele “viu” Jesus Cristo dando uma missão a ele. Isso sem falar do embuste montado para uma certa hóstia que sangrava na boca de uma religiosa orientada por ele.

E se quisermos subir um pouco mais o quadro de comparações, basta pensar na pedofilia que nunca foi assumida, mas como acontecimento típico de humanos tomou proporções gigantescas a ponto de chegar aos altos escalões do Vaticano. Papa Francisco disse com todas as letras que muitos bispos acobertaram o que sabiam sobre pedofilia.

Lula, sua alma e o petrolão são fichinha.

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