Nossa infantilidade


Por Salvatore D' Onofrio


“O sono da razão gera monstros” afirma Domenico De Masi num seminário em Tiradentes (MG), conforme informa Mônica Bérgamo (“O Brasil é infantil”, Folha, 27/11). Para o sociólogo italiano faltaria reflexão sobre o rumo da nossa política que oscila entre pólos opostos.

Lula, o líder carismático de alguns anos atrás, é transformado atualmente em réu e ameaçado de prisão por crimes eleitorais e de corrupção ativa e passiva. Nenhum engano ou mentira resiste à ação do tempo, que é o único juiz a fazer realmente justiça!

Como outros monstros da política (Hitler, Mussolini, Stalin, Saddam Hussein, Fidel Castro, Hugo Chaves, Berlusconi e caterva), nosso Lula não conseguiu prever as conseqüências de ideologias populistas, capitalistas ou nacionalistas que, quando postas em prática, causam a desgraça de nações. Nenhuma sociedade se sustenta por muito tempo, se não houver equilíbrio fiscal, o chefe (presidente, governador, prefeito ou pai de família) gastando mais do que arrecada. A caridade púbica, civil ou religiosa, não pode substituir a justiça social, uns poucos se enriquecendo às custas do trabalho da maioria.

O conceito de infantilidade está ligado à sua origem etimológica latina: “in-fans-antis” é o ser humano que ainda não fala, quase sinônimo de puerilidade, de “puer”, menino, que define quem ainda não atingiu um bom nível de racionalidade. Infelizmente, a deficiência de racionalidade não é apenas das crianças, mas também de gente grande incapaz de prever as conseqüências de seus atos. É por isso que continuamos elegendo os políticos de sempre, colocando no mundo crianças sem condições de sustento, esperando milagres que nunca acontecem. Nada é tão verdadeiro quanto este pensamento do filósofo francês Ernest Renan (1823-1892): “A única coisa que nos dá a idéia do infinito é a imbecilidade humana”.


Salvatore D' Onofrio é doutor pela USP e Professor Titular pela UNESP, autor das obras Autor do Dicionário de Cultura Básica (Publit), Literatura Ocidental, Forma e Sentido do Texto Literário (Ática), Pensar é preciso e Pesquisando (Editorama)


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