As mulheres esqueceram ou superaram os seus próprios feitos



Este 4 de fevereiro é um dia especial para as mulheres, mas elas não sabem. Ou esqueceram. Ou se libertaram de suas próprias comemorações.

Pois o dia 4 de fevereiro é ao mesmo tempo o aniversário de um nascimento e de uma morte, círculo que se abriu a 4 de fevereiro de 1921, quando ela nasceu, e se fechou em 4 de fevereiro de 2006, quando ela morreu, aos 85 anos.

Com um livro chamado “Mística feminina”, de 1963, ela deu corpo àquilo que a história chama hoje de o segundo movimento feminista. Olhou para a vida das mulheres e fez um raio-x do casamento, da família, das funções que a igreja colocou sobre os ombros delas. Morreu infeliz, segundo relatos de terceiros, dizendo que a emancipação feminina parou no sexo. Frase também atribuída a outra feminista, Camile Paglia.


Hoje, pensar nela é olhar a Júlia, de Rousseau, romance escrito há mais de 250 anos, destinado a passar a limpo a história de amor e morte de Heloísa e Abelardo, outro romance mas do século 12 no qual pelo amor de uma mulher um homem foi castrado como punição.

Pensar nela, é tentar entender como no islã mulheres ainda são apedrejadas em nome de Allah; na África, 150 milhões sofreram extirpação clitoriana; na Índia, estupros e casamentos arranjados ocorrem todos os dias; na China, 240 milhões de meninas recém-nascidas foram assassinadas nos últimos 30 anos equivalendo a 40 Holocaustos. E ainda, com dados de Studart, no Brasil, a Lei Maria da Penha já enquadrou mais de 300 mil agressores, registro de 2013.

Talvez a data passe mesmo em branco. E não é estranho que seja um homem a reverenciar seu nome? Seu nome: Betty Friedan.

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