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Levantar a ponta do véu da saúde mostra que a noiva está sem calcinha

Por Alexandre Graviloff

https://academiamedica.com.br/blog/o-despreparo-da-presidente-dilma-e-o-problema-da-saude-brasil

A falta de dinheiro para a Saúde é gritante. O que o Brasil investe não sustenta um sistema complexo como o SUS. Mas a falta de grana, por mais grave que seja, não é a mais importante. Quase nenhum sistema de Saúde tem boa gestão. Se o orçamento da Saúde dobrar, assim, na maior, de hoje para amanhã, da forma como o sistema funciona hoje, haverá desperdício. O Brasil vai jogar dinheiro fora. 

Os governantes iriam construir um monte de hospital. Isso não resolve o problema. Precisamos de mais grana, mas antes precisamos saber como usar bem essa grana. Enquanto não tivermos um sistema de atenção primária funcionando adequadamente, o diagnóstico dos hipertensos e diabéticos continuará a ser feito apenas quando ele chega a uma emergência. É uma irracionalidade porque isso é pior para o paciente e mais caro para o sistema. 

Outro grande problema da administração direta é a área de recursos humanos. Tem gente imbecil que acha que o problema é salário. Aí aumenta o salário e não resolve o problema. Salário é uma condição necessária, mas não é suficiente. Se você tiver um salário razoável e boas condições de trabalho, vai conseguir manter os profissionais. 
Daí vem o empecilho das condições materiais. A pessoa vai dar um plantão e falta tudo. Falta material, falta colega para dividir o plantão, falta enfermeira. Nos serviços de saúde da administração direta, essa questão dos recursos humanos é extremamente complicada. 

O gestor precisa ter liberdade para contratar. Fala-se muito em subfinanciamento e fraudes, mas pouco se fala sobre desperdício. Se eu estou com tudo pronto no hospital para fazer uma cirurgia e essa cirurgia não acontece, quanto dinheiro é jogado fora? Isso ocorre por várias razões. Às vezes o cirurgião aparece, mas a instrumentadora não. Ou eles estão lá, mas a roupa e o material não foram esterilizados. Ou faltou anestésico. Ou um fio especial para sutura. Ou o ar-condicionado quebrou. No serviço público, quando a cirurgia acontece é quase um milagre. É tanta coisa que deu certo ao mesmo tempo… Parece que Deus botou a mão ali e não deixou escapar nada. 

Há uma quantidade absurda de cirurgias suspensas e não se fala sobre isso. Por isso é que estou convicto que médicos são os piores gestores de saúde que existem… Administradores hospitalares muito piores. Há que se ter uma visão da complexidade do processo de gestão pública com todos os “constraints” de governabilidade, que conspiram pela ingovernabilidade. 

Parece joguinho de palavras, mas esta foi a triste realidade que vivi durante os anos no Ministério da Saúde. Quem quiser perguntar se eu vejo algum horizonte alvissareiro receberá uma decepcionada resposta da minha parte. Acho que "tâmo fu" e assim estaremos por muito tempo.


Comentários

Unknown disse…
No meu ponto de vista eu olho diferente a saúde pública.
Para quem interessaria a saúde precária? Aos empresários é óbvio!
O governo e os empresários um ajudando o outro.
Quanto pior a saúde,melhor para ambos.

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