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O complexo de Édipo na política brasileira




A lei do pai, uma lei acima das leis

Por Nelson Prado Rocchi

Uma introdução ao Complexo de Édipo aplicado à política. Publiquei este texto antes do impeachment da Dilma. A Lava Jato ainda não existia e nem havia estourado o Petrolão.

Advogo aqui em favor de um fenômeno, o restabelecimento da Lei do Pai, uma lei psicológica que governa os humanos acima e abaixo das racionalizações, vigendo (vigorando) desde muito antes do surgimento das Constituições Nacionais trazidas no bojos dos movimentos fundantes, como as Revoluções Americana e Francesa.


VIOLÊNCIA CAÓTICA - ÉDIPO - LEI DO PAI - PACTO SOCIAL

Nosso primeiro amor foi nossa mãe. Ela foi nossa Deusa. O menino, para seu desgosto, ao redor dos 2 anos, descobre que existem dois sexos e que ele é um menino, alguém como o pai. Ele não pertence ao gênero sexual da Deusa, ele é de um gênero inferior.

Homens passam a vida querendo pegar, apalpar o corpo das mulheres, substitutas da Deusa perdida. A identificação do menino com o pai nessa idade ajuda o menino a escapar do poder avassalador da mãe.

Embora o menino fuja do poder assustador de sua mãe, ela ainda é o seu primeiro e grande amor. Assim, além de sua identificação com o pai, o menino agora encontra nele inicialmente um intruso na sua ligação com a mãe, mas à medida que o tempo passa, o menino passa a ver no pai um rival nessa disputa.

A rivalidade com essa figura tão poderosa é sentida como perigosa e origina raiva e medo. A raiva surge na forma de desejos da morte do pai - "se o papai morrer eu caso com você", pensa o menino.
Mas também surge o medo de ser aniquilado, castrado, pelo pai. Para piorar o drama do menino, o amor afetivo pela mãe adquire um aspecto sensual, incestuoso. Dois desejos terríveis emergem com força: incesto e parricídio. E um medo ainda mais terrível: castração e aniquilamento pelo pai.

Dos 5 até os 7 anos, o desejo incestuoso, o impulso de matar o pai e o medo de castração e aniquilamento atingem o ápice crítico. A maioria dos meninos descobre a solução heterossexual para esse terror de aniquilação: identifica-se com o pai, renunciando à mãe sem renunciar às mulheres. Neste modelo de identificação, admirará o pai, o imitará e o obedecerá. Aceitará as regras e normas do pai.

Está assim instituída a LEI DO PAI. O menino renuncia a seus impulsos assassinos, renuncia a seus desejos incestuosos (tabu do incesto) e procurará uma mulher para “ter”, como o pai “tem” a mãe.

Há uma contrapartida do lado do pai: este fica obrigado a seguir a própria lei. Um pai que viola essa lei provoca uma ruptura do pacto edipiano (entre o filho e ele) fazendo com que o filho se recuse a cumprir a Lei do Pai, regredindo para um estágio no qual vira um transgressor das normas e regras.

Para que tudo corra bem e não haja a ruptura do acordo edipiano, o pai passa a ser um guardião e escravo da própria lei. Com a condição cerebral e mental do uso da linguagem simbólica, essa primeira lei (A Lei do Pai) passa a ser o alicerce psicológico para a aceitação social das outras leis e acordos.

Inicia-se o processo civilizatório, uma ideia de aliança internalizada de valores que permitirá o estabelecimento duma ordem social dinâmica e negociada: o Pacto Social.

Assim, o Pacto Social derivado do Pacto Edipiano (Lei do Pai) à semelhança deste, tem mão dupla (em termos bem simples gera binômios, como Elite/Povo).

Suponhamos que o Pacto Social não seja obedecido por parte da Elite (Governo, Grandes Empresas) que como o Pai originou a Lei. O rompimento da própria Lei pela Elite (equivalente ao Pai) produz a ruptura do Pacto Social (derivado do Pacto Edipiano). O povo (Filhos) tenderá a romper a Lei.

O rompimento do Pacto Social (Lei do Pai) pelo povo, em resposta a uma prévia ruptura da Lei pela Elite, pode vir a ter consequências catastróficas.

O Pacto Social e o Pacto Edipiano se articulam íntima e indissoluvelmente. Um rompimento grave por parte da “Elite” nessa relação de mutualidade pode levar ao desespero, à cólera, ao cinismo, à revolta numa fase inicial.

A população tenderá a repelir também o Pacto Social (os sacrifícios e a disciplina por ele exigidos). Esse efeito se tornará tanto mais provável quanto mais existir, numa sociedade determinada, um clima de apodrecimento dos valores que cimentam a coesão social.

Com a barreira rompida, há uma liberação num formato enxurrada dos impulsos antes contidos pelo Pacto Social (Lei do Pai): corrupção descarada, predação, homicídio, estupro, roubo, drogas e violência de todo tipo gerando enorme insegurança e caos social. Estão implantadas as condições para uma epidemia de criminalidade, como sintoma de grave patologia social.

A corrupção macunaímica (generalizada e de maneiras diversas) e a guerra civil caótica (na prática) que assola o Brasil é a demonstração clara do rompimento pela Elite (Governo e Grandes Empresas) da Lei do Pai.

É como se ocorresse uma NOVA LEI DO PAI que na prática se traduz como NÃO HÁ MAIS LEI ALGUMA. A criminalidade não ocorre somente nos pobres e miseráveis como erroneamente, ou preconceituosamente, se afirma. É como um câncer que se espalha por todo o tecido social e não exprime nenhum protesto social, não conduz a nada e, sem dúvida, piora tudo.

O delinquente comum, ao cometer o seu crime, não pretende nenhuma transformação da sociedade. Ao contrário, busca identificar-se imaginariamente com o seu Pai Simbólico (a Elite macunaímica) copiando, caricaturalmente, seus defeitos e deformidades. Nesta situação, é possível que alguns grupos não corrompidos da Elite tentem restabelecer a Lei do Pai eliminando a Elite corrompida.

Este é o melhor cenário. Outro cenário para eliminar o caos macunaímico é o estabelecimento de uma ditadura ao estilo chinesa, norte-coreana, chilena ou cubana.

Nesse caso torna-se necessário o controle total da imprensa e de todos os canais de comunicação para não permitir que o povo (Filhos) descubra a tremenda corrupção e privilégios descarados da Elite (Pai) governante.

Historicamente, a Lei do Pai tem sido restaurada por uma ditadura. Isso aconteceu onde o caos social imperava: Revolução Stalinista na Rússia Czarista, Hitler na Alemanha, Mussolini na Itália, Franco na Espalha, Mao na China, Salazar em Portugal, Fidel na Cuba de Batista. Nestes casos, o povo enganado pensará que a Elite não está rompendo o Pacto Social (Pacto Edipiano).

Não é por acaso que as elites corruptas sonham com governos totalitários e tentam por todos os meios, legais e ilegais, controlar as informações que chegam ao povo.

No Brasil, a liderança macunaímica Lula/PT, promovendo a corrupção descarada e generalizada praticamente quebrou a Lei do Pai, gerando violência social pela “liberação” dos "filhos".

A corrupção deslavada faz com que um estado social passe a funcionar como se não houvesse lei qualquer. Como ainda não há um caos econômico (Temer atua para atenuá-lo, já que também faz parte da Elite) ocorre tremenda insegurança social pela violência em seus vários formatos, como a frequência dos assaltos. 

Haverá apenas duas saídas: 
Primeira – o restabelecimento da Lei do Pai, como parece estar ocorrendo no julgamento do mensalão, e pelo clamor pugnando pelo fim da impunidade e da corrupção descarada. É o restabelecimento democrático.

Segunda - restabelecimento da Lei do Pai por uma ditadura. Solução mais dolorosa e mais difícil. A elite que faria a ditadura tipo chinesa não tem condições de ser derivada do PT pelo fato de os quadros do PT agirem por uma ideologia macunaímica corrupta e nenhuma outra elite parece ter condições de formar um governo eficiente e autoritário como o chinês.

Além disso seria necessário controlar o Judiciário, colocar ordem unida nos grupos heterogêneos do Legislativo, satisfazer a burocracia estatal do Executivo, controlar a imprensa e submeter poderosos grupos econômicos. Apesar da ideologia macunaímica, o governo Dilma estava tentando controlar o Judiciário e censurar a imprensa, o que reflete a 'alma' totalitária dos grupos de esquerda.


No atual momento, mesmo com todos os ingredientes apontando para uma tentativa radical de salvar Lula e restabelecer uma Lei do Pai pelo perdão, são escassas as chances de uma ruptura pela via de uma ditadura.

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